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TEXTOS DO DOLICOCÉFALO

sexta-feira, 18 de maio de 2018

O ESPLENDOR DO POLITICAMENTE IDIOTA

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O esplendor do politicamente idiota

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 28/04/2018)

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Pobre Fernando Medina, do que ele se foi lembrar: fazer um Museu das Descobertas, ou dos Descobrimentos, em Lisboa! Uma ideia que pareceria absolutamente consensual e necessária e que só pecava por tardia, parece que se transformou numa polémica que já suscitou a indignação de mais de uma centena de historiadores e “cientistas sociais”, trazida a público num abaixo-assinado de professores de diversas Universidades, portuguesas e estrangeiras — se bem que, para dizer a verdade, quase todas de segundo plano, as Universidades, e quase todos, portugueses, os professores, com excepção de alguns, que presumo brasileiros, em decorrência dos nomes que ostentam e que só podem ter origem em antepassados portugueses e não em avós balantas ou mesmo tupi-guaranis.
Antes de, com a devida vénia e indisfarçável terror, entrar na polémica, deixem-me confessar a minha ignorância preliminar relativamente a duas questões, seguramente menores: desconheço quase por completo, não só os nomes, mas, sobretudo, a importância dos ditos historiadores para o que, num português em voga mas não recomendável, chamam “a riqueza problematizante” do que ora os ocupa; e desconheço ainda mais o que faça ao certo um cientista social que o torne uma autoridade na matéria.
Isto posto, e indo ao fundo da controvérsia, estas cem excelentíssimas autoridades indignam-se, em suma, contra o maldito nome do nascituro museu. Porque a questão, dizem eles, é que chamar-lhe Museu das Descobertas ou dos Descobrimentos, “não é apenas um nome, é o que representa enquanto projecto ideológico”. Este, esclarecem, é o projecto ideológico do Estado Novo, “incompatível com o Portugal democrático”. Bravo, António Ferro, o SNI continua vivo, os Descobrimentos portugueses mais não foram do que a antecâmara do colonialismo e o Estado Novo o seu apogeu e desfecho natural! O “mar sem fim português”, de que falava Pessoa, outra coisa não era, afinal, do que o Portugal do Minho a Timor, de que falava Salazar.
Pois, bem, se a palavra “descobertas” envolve um “projecto ideológico” de conotações maléficas, isso significa que as excelentíssimas autoridades têm outro projecto ideológico que se opõe e resgata este. Qual seja, e abreviando, chamar a atenção, por exemplo, para que os povos alegadamente descobertos pelos portugueses não se terão sentido descobertos, porque, de facto, já lá estavam. É um argumento tão fantástico, que, de facto, é irrebatível. Mas, salvo desconhecida opinião, ninguém sustenta que Vasco da Gama criou do nada o samorim de Calicut, que os Jesuítas encontraram o Tibete despovoado ou que Pedro Álvares Cabral celebrou a primeira missa em Terras de Santa Cruz para uns fantasmas vestidos de índios. Não, o que eles fizeram foi encontrar as rotas, marítimas ou terrestres, que ligaram o Ocidente e a Europa ao Oriente e às Américas, pondo em contacto dois mundos até aí sem contacto algum (com a excepção parcial das viagens de Marco Polo, por via terrestre, e as viagens marítimas, sem sequência científica ou outra, dos vikings). O que se sustenta é que não foi o samorim que se deu ao trabalho de largar o seu luxuoso trono e apanhar uma low-cost para a Europa, mas o Gama que se arriscou a ir mar fora naquelas cascas de noz ao seu encontro. Na época, isso significou — em termos de navegação, de cartografia, de indústria naval, de rotas comerciais e de avanços científicos em todas as áreas — um pulo de uma dimensão nunca antes e raras vezes igualado depois, na história da Humanidade. Sem falar das terras virgens que descobrimos e dos que não descobriram povos, dos que navegaram em pleno desconhecido, movidos por um verdadeiro sentido de descoberta tão extremo e destemido que só poderemos classificar como quase demência: Bartolomeu Dias dobrando o Cabo da Boa Esperança sem saber o que iria encontrar do outro lado; Fernão de Magalhães procurando insanamente o Estreito que ainda hoje tem o seu nome, ligando o Atlântico ao Pacífico e provando que a terra era redonda e circum-navegável em toda a sua extensão; os irmãos Corte-Real desbravando o limite extremo do norte navegável. Todos eles em mar aberto e em terra de ninguém, onde seria impossível às excelentíssimas autoridades encontrarem forma práctica de dar execução a outro dos argumentos arrolados para o conceito ideológico do seu museu: “Valorizar as experiências de todos os povos que estiveram envolvidos neste processo”.
Enfim, e sempre resumindo, vem depois o argumento da escravatura. É incontornável e eu subscrevo-o: deve estar referenciado num museu sobre as Descobertas, e subsequente colonização portuguesa. Sem esquecer, porém, que não foram os portugueses que inventaram a escravatura, mas apenas aproveitaram o comércio de escravos que encontraram florescente nas costas oriental e ocidental de África. E sem esquecer também que, sem desculpar o que foi a tragédia da escravatura, não há erro mais simplista de cometer do que julgar a História pelos padrões éticos contemporâneos. E estou à vontade no assunto, pois escrevi um romance histórico cujo tema central era a escravatura em São Tomé e Príncipe e em que, apesar de ela ter durado até à primeira metade do século XX (!), não encontrei, curiosamente, entre tanta fonte pesquisada e tanto historiador preocupado, nenhum trabalho histórico de referência que a contemplasse.
Não resisto a uma palavra aos invocados historiadores brasileiros que assinam esta petição. Conheço muito, de ver e de ler, da herança história de Portugal no Brasil — e tenho um profundo orgulho nela. Todos os ciclos de prosperidade histórica do Brasil, ligados às riquezas naturais, tirando o primeiro — o do pau-brasil, irrelevante, em termos económicos — foram feitos graças a árvores levadas para lá pelos portugueses: a cana de açúcar, a borracha, o cafeeiro, até os coqueiros, que levámos da Índia. E o ouro, o célebre ouro, roubado pelo D. João V? Ah, o ouro do Brasil! Do célebre “quinto real” (tudo o que cabia à Coroa), nem um quinto cá chegou. O resto? Perguntem a todas as ‘Lava-Jato’ que saltearam o Brasil, desde 1822. Pedras, monumentos? Tudo o que ficou de pé é português: no Pará, em Pernambuco, em Salvador, em Minas, no Rio, em Paraty, onde quiserem. E o Amazonas, cujo desbravamento por Pedro Teixeira é uma aventura assombrosa de coragem e persistência e cuja colonização, que incluiu a construção dos sete fortes de fronteira, erguidos com pedras de granito levadas de Portugal a mando do marquês de Pombal, e a que o Brasil ficou a dever milhões de quilómetros quadrados de floresta virgem preciosa, e que foi, no dizer do grande historiador brasileiro Joaquim Nabuco, “talvez a maior extraordinária epopeia de todos os Descobrimentos portugueses”? É bem provável que os brasileiros não saibam nem queiram saber dessa história. Os portugueses não sabem com certeza. Mas deviam saber.
Que haja portugueses que tenham vergonha desta história e queiram reescrevê-la numa espécie de museu de autoflagelação é problema deles. Mas não pode ser problema dos outros. O dinheiro dos nossos impostos não pode servir para fazer um museu contra a nossa História, contra uma História que foi tão grandiosa que, se calhar por isso mesmo, nem a conseguimos entender, na nossa pequenez actual. Tudo isto me faz lembrar o que escreveu no início de um poema uma senhora que, por acaso, era minha mãe: “Navegavam sem o mapa que faziam/ Atrás deixando conluios e conversas/ Intrigas surdas de bordéis e paços…”.
Para terminar: já me tinha pronunciado sobre isto antes. Antes de esta irrepetível oportunidade para fazer uma coisa bem feita ter sido capturada pela intelligentsia ociosa dos abaixo-assinados. Mas volto ao que então escrevi: eu não queria apenas um Museu das Descobertas em Lisboa. Queria um Museu de Portugal e do Mar ou dos Portugueses e o Mar. Onde coubesse também a história de duas outras extraordinárias epopeias que o comum dos portugueses e dos estrangeiros que nos visitam desconhece: a nossa contribuição única e indispensável na história da pesca à baleia (juntamente com os cabo-verdianos), no Atlântico e Pacífico, e na história da pesca ao bacalhau à vela, na Gronelândia e norte do Canadá. Desse modo se tornaria patente que não foi por um simples acaso, nem para espalhar a fé e o império, ou apenas para trazer a pimenta e a canela da Índia, que este pequeníssimo povo, entalado entre o fim da Europa e o mar, escolheu o mar como destino. E, porque o espaço tem relação directa com isso, porque está miseravelmente desaproveitado, porque é lindo e porque sai mais barato aos contribuintes, queria vê-lo na Cordoaria Nacional.
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Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia 
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quinta-feira, 29 de março de 2018

DEATH'S DOMINION

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Death’s Dominion


The Pope’s suggestion that Hell is imaginary shows his instinct to reconcile eternal truths with the mores and understanding of the modern age

In church services today across the world, Christians will recall the fate of a figure nailed to a cross, flanked by two criminals, in ancient Palestine. More than that, they will affirm their faith that Jesus of Nazareth was both human and divine, and that in his crucifixion he voluntarily suffered and atoned for the sins of humanity.

In two millennia since, Christ’s followers have wondered and reasoned about the fate of those who are saved and those who are lost. This week the Pope has injected a distinctive view into this theological debate. In an interview with La Repubblica, he appears to suggest that Hell is an imaginary construct and that the fate of unrepentant sinners, rather than eternal torment, is to disappear.

If the pontiff is being accurately cited, this is not a departure from Christian orthodoxy. It is a reiteration of a longstanding position in the church, and a humane one that accords with modern mores. If there is a hereafter, it is unknown and unknowable. The justification for a virtuous life is not the dread of an eternity of torment but that it is the right course for adherents of all faiths and none. Virtue is independent of authority or the promise of reward.

Since his election in 2013, Francis has made stumbles. The most notable is his apparent failure to grasp the seriousness of the church’s historic complicity in crimes of sexual abuse against children. On a visit to Latin America in January, he was asked about protests against a Chilean bishop. He replied that the allegations were slander, without evidence to support them.

This was not the right tone of inquiry, let alone humility. Nor was it in keeping with the Pope’s approach in other matters, spiritual as well as temporal. The most distinctive feature of his papacy has been his willingness to side with the church’s flock rather than its establishment.

Francis’s illustrious predecessor John XXIII promised, when opening the Second Vatican Council in 1962, to “open the windows and let in the fresh air”. On many issues, and in many ways, Francis has been the embodiment of that hope. He is the first Pope to have addressed the United States Congress, where he urged compassion for the poor and action on the threat of climate change. On issues of state and social ethics, he has shown he is more aware of modern mores than his predecessors, and a leader in moulding them.

In matters of faith, the Pope has been more circumspect but still compassionate. He replied rhetorically, “who am I to judge?”, when asked about gay people living dignified Christian lives. This willingness to accept the limits of knowledge while affirming the foundation of faith is likely to be an enduring mark of his papacy.

That combination of orthodoxy tempered by curiosity has become a trademark. It is potentially a fruitful way for the church to approach the challenge of spreading the gospel in an age of pluralism and scepticism. Understanding what it means to be a Christian does change through the ages, and there is nothing wrong in this.

Thomas Aquinas, the greatest philosopher of the medieval church, was rendered uncharacteristically dumb when trying to imagine the pleasures of paradise. In the Summa Theologica, he speculated that to perfect the happiness of the saints in Heaven, they would be “allowed to see perfectly the sufferings of the damned”.

To the modern mind, this is vindictive. It conjures images of first-class passengers delighting in the discomfort of those at the back of the aircraft. Christian leaders have since offered St Paul’s simpler message that while “the wages of sin is death”, there is solace in faith. The Pope’s clarification that there is no such thing as eternal fire and brimstone even for those who eschew faith should be a reassurance to everyone
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sábado, 10 de março de 2018

PONTE SOBRE O TEJO

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Ponte 25 de Abril - 40 Anos

Antecedentes Históricos

O atravessamento contínuo do rio Tejo na área urbana da capital, uma aspiração quase secular, foi traduzido em termos técnicos, e pela primeira vez, pelo Eng.º Miguel Pais que propôs em 1876, em desenho, uma ponte entre o Grilo e o Montijo.
Esta proposta contemplava uma solução mista para os tráfegos rodoviário e ferroviário, de tabuleiro duplo e com setenta e seis tramos, dos quais setenta e quatro tinham 60 m de vão e os dois extremos, 48 m.
Apesar do grande apoio que colheu nos meios técnicos, na opinião pública e em departamentos oficiais, este projecto não teve seguimento, tendo surgido ao longo dos anos outras ideias para a ligação da capital à margem Sul.
Em 1888 o Eng.º Lye, de nacionalidade norte-americana, propõe a construção de uma ponte entre Almada e a zona do Tesouro Velho (actual Chiado) com uma estação ferroviária próxima do Largo das Duas Igrejas.
Posteriormente, em 1889, os engenheiros franceses Bartissol e Seyrig propõem uma ligação mista entre a Rocha do Conde de Óbidos e Almada, através de uma ponte com 2500 m de comprimento, que seria assente numa série de arcos com vãos diferentes.
Em 1890 surge nova proposta subscrita por uma empresa metalomecânica de Nuremberga que pretendia construir uma ponte entre o Beato e o Montijo, sugerindo uma localização muito próxima à que tinha sido proposta pelo Eng.º Miguel Pais.
Já no século XX, em 1913, foi proposto ao Governo, por uma firma portuguesa, fazer a ligação entre a Rocha do Conde de Óbidos e Almada.
Porém, em 1919, a empresa H. Burnay & C.ª, considerava que a travessia do Tejo deveria ser feita através de um túnel e não de uma ponte. Este túnel teria 4500 m de extensão e ligaria a capital a Almada entre Santa Apolónia e Cacilhas.
Dois anos mais tarde é feita nova sugestão para outra ponte mista, pelo Eng.º Alfonso Pena Boeuf, espanhol, a implantar entre a Rocha do Conde de Óbidos e Almada, com um comprimento total de 3347 m. Curiosamente, esta proposta previa apenas um tabuleiro com via férrea dupla e quatro vias para circulação rodoviária. Em 1926, estando ainda de pé esta proposta, a empresa do Arq.º José Cortez - Cortez & Bruhns, apresentou, em esboço, a sugestão duma grande ponte suspensa de três vãos a lançar entre a parte alta da Rua do Patrocínio e as proximidades de Almada.
O Eng.º António Belo, em 1929, solicitou a concessão de uma linha férrea a construir entre o Beato e o Montijo, que incluía a respectiva ponte para a travessia. Esta proposta mereceu, por parte do Ministro Duarte Pacheco, a atenção devida, tendo-se aberto para o efeito um concurso público em 1934, que não teve resultados concretos, visto que nenhuma das propostas correspondeu ao que o caderno de encargos estipulava sobre o regime de concessão.
Quatro anos mais tarde, retomada por um dos concorrentes - United States Steel Products - esta proposta também não obteve acordo, apesar da simplificação e redução de custo apresentadas.
Em 1942 foi nomeada uma comissão para o estudo das comunicações entre a zona oriental de Lisboa e o Sul do país, como consequência de diligências promovidas pelas Câmaras Municipais do Barreiro, Alcochete, Moita e Seixal para a melhoria das comunicações entre as sedes dos respectivos concelhos e Cacilhas. Porém, com a decisão da construção da Ponte de Vila Franca de Xira, foram suspensos os trabalhos desta comissão.
O Eng.º Pena Boeuf, em 1951, sugeriu uma nova travessia entre Almada e o Alto de Santa Catarina em Lisboa, propondo uma ponte suspensa.

O Empreendimento

Finalmente, para o estudo e resolução do problema das ligações rodoviária e ferroviária entre Lisboa e a margem Sul do Tejo, foi nomeada, por Portaria dos Ministérios das Obras Públicas e das Comunicações de Junho de 1953, uma nova comissão que concluiu pela viabilidade técnica e financeira da travessia através de uma ponte ou de um túnel. O Governo optou pela construção de uma ponte e pelo Decreto-Lei n.º 42 238, autorizou o Ministério das Obras Públicas a abrir concurso para a sua construção.
Em Dezembro de 1960, foi criado, na dependência do Ministro das Obras Públicas, para a condução deste empreendimento, o Gabinete da Ponte sobre o Tejo, dirigido pelo Eng.º José Estevam Abranches Couceiro do Canto Moniz, na altura director dos Serviços de Conservação da Junta Autónoma de Estradas.
Em Março de 1960 abriu-se concurso internacional para a execução da obra, tendo esta sido adjudicada à United States Steel Export Company em Maio de 1962. Compreendia a construção da ponte sobre o rio, a realização de um complexo rodoviário que incluía 15 km de auto-estrada, trinta e duas estruturas de betão armado e pré-esforçado, o Viaduto Norte sobre Alcântara (com 945,11 m de extensão e catorze vãos, cujo tabuleiro de betão pré-esforçado é apoiado em pilares gémeos de betão armado, ligados por uma travessa horizontal a 10 m do topo, destinada a suportar o tabuleiro ferroviário), um túnel sob a Praça da Portagem (com cerca de 600 m de comprimento e destinado a receber a plataforma ferroviária do eixo de ligação da rede a Norte com a rede a Sul do rio Tejo), a sinalização e iluminação de toda a obra.
Iniciada em Novembro de 1962 a ponte é constituída por uma estrutura metálica, suspensa, com cerca de 2300 m de comprimento entre ancoragens, dos quais 1013 m vencem o vão central.
As duas torres principais de aço carbono, atingem uma altura de 190,5 m acima do nível da água e estão situadas a cerca de meio quilómetro de cada margem. A construção das suas fundações, sobretudo as da torre Sul, constituiu um dos aspectos mais interessantes da obra. Implantada em pleno rio, a fundação em betão armado, realizada empregando o método do caixão aberto, assenta na rocha basáltica a 82,5 m abaixo do nível da preia-mar de águas vivas.
As torres são jorradas transversal e longitudinalmente e cada uma tem duas pernas ou montantes principais, contraventadas entre si por cinco peças em X e duas travessas horizontais, uma no topo da torre e a outra abaixo do nível da viga de rigidez.
No topo de cada torre foram fixadas duas grandes selas de aço fundido, que dão apoio aos dois cabos principais de suspensão, constituídos por fios de aço paralelos, organizados em 37 feixes com 304 fios cada um, cintados e apertados de modo a formar, em todo o percurso suspenso, um cabo com 58,6 cm de diâmetro. A viga de rigidez e o tabuleiro são suspensos desses grandes cabos que amarram a dois maciços de betão, localizados nas margens.
A grande viga de rigidez, com 21 m de largura e 10,65 m de altura, contínua em toda a sua extensão, é constituída por elementos soldados que foram depois fixados com parafusos de alta resistência. Sobre ela assenta o tabuleiro, constituído por um conjunto de longarinas e carlingas de aço sobre as quais assentam painéis formados por uma grelha do mesmo material.
A Ponte 25 de Abril, como passou a ser conhecida desde 1974 foi, no tempo da sua construção, a maior da Europa, considerando a distância entre ancoragens e a maior fora dos Estados Unidos da América.
Projectada para ser uma ponte mista - rodoviária e ferroviária - foi logo planeada no projecto a construção em duas fases, pelo que os seus elementos estruturais fundamentais (fundações, torres e pilares) previam já as sobrecargas ferroviárias de uma via dupla.
A ponte abriu ao tráfego rodoviário com duas vias em cada sentido, divididas por um separador central metálico. Devido ao grande aumento do tráfego médio diário, em Junho de 1990 foi aberta uma quinta via, reversível, obtida à custa da remoção do separador central e sem qualquer alargamento físico. Esta decisão e o aumento de capacidade resultante, obrigou à reformulação da Praça da Portagem e à inversão do sentido de cobrança da portagem, obra lançada em 1992.
O grande desenvolvimento urbano e regional da margem Sul e o consequente aumento de tráfego, provocaram a saturação da capacidade de transporte da ponte, tornando evidente a necessidade de ampliar o tabuleiro rodoviário para a capacidade máxima de seis vias e proceder aos estudos de lançamento da fase ferroviária.
Em 1990 iniciaram-se as diligências para a elaboração do projecto que foi adjudicado à firma Steinman Boynton Gronquist & Bridsal e ficou concluído em
1994. Os estudos foram conduzidos pelo Gabinete de Gestão das Obras de Instalação do Caminho de Ferro na Ponte sobre o Tejo em Lisboa, GECAF, sob a orientação do Eng.º Mário Pinto Alves Fernandes, ex-Presidente da JAE e um dos técnicos do extinto Gabinete da Ponte sobre o Tejo. Posteriormente, em Abril de 1997, este Gabinete foi integrado na REFER-EP (Rede Ferroviária Nacional).
Após concurso internacional aberto em 1995, as obras de reforço, alargamento do tabuleiro e inclusão da via férrea na ponte e seus acessos, iniciaram-se nesse mesmo ano. No esquema ferroviário adoptado, foi incluido o túnel construído durante a fase inicial sob a Praça da Portagem.
As obras efectuadas por forma a permitir a circulação diária de cerca de 250 comboios, incluiram os trabalhos seguintes:

• reforço estrutural da ponte, com a construção de dois cabos de suspensão secundários e respectivas ancoragens nas duas margens;

• reforço da viga de rigidez;

• construção do tabuleiro ferroviário para via dupla no interior da viga de rigidez, incluindo as respectivas catenárias e toda a aparelhagem de sinalização e controlo;

• alargamento do tabuleiro rodoviário para seis vias, com separador central;

• beneficiação geral da estrutura existente, incluindo decapagem e pintura total;

• renovação da instalação eléctrica, de sinalização e decorativa;

• construção do tabuleiro ferroviário sob o tabuleiro rodoviário do Viaduto de Alcântara;

• beneficiação geral do tabuleiro rodoviário do Viaduto de Alcântara, com supressão de algumas juntas e substituição de outras.

Foi a primeira vez que se levou a efeito um reforço neste tipo de estrutura tendo em vista a sobrecarga motivada pelo modo de exploração ferroviário. O peso dos comboios considerado foi duas vezes e meia superior ao que foi tido em consideração aquando da elaboração do projecto em 1960/1961.
A manutenção e a exploração desta ponte foram feitas, até Janeiro de 1973, pelo Gabinete da Ponte sobre o Tejo e entre esta data e 31 de Dezembro de 1995 pela Junta Autónoma de Estradas. A partir de 1 de Janeiro de 1996 a
exploração e a manutenção corrente passaram, de acordo com o Decreto-Lei n.º 168/94 de 15 de Junho, a ser feitas pela Lusoponte, SA., (através da Gestiponte) concessionária da nova travessia entre Lisboa e Alcochete - Ponte Vasco da Gama - inaugurada em Março de 1998.
Documentário «A Ponte Salazar sobre o rio Tejo em Lisboa - 1966», de José Leitão de Barros
Documentário «A Ponte Salazar sobre o rio Tejo», do Gabinete da Ponte sobre o Tejo

Características Geométricas

Ponte suspensa

Comprimento do vão principal

1.012,88m

Distância entre amarrações

2.227,64m

Altura livre acima do nível da água

70,00m

Altura das torres principais acima do nível da água

190,50m

Diâmetro dos cabos principais

58,60cm

Número de fios de aço por cada cabo principal

11.248

Diâmetro de cada fio de aço, cabo principal

4,877mm

Comprimento total de fio de aço nos cabos principais

54.196km

Diâmetro dos cabos secundários

35,44cm

Número de fios de aço por cada cabo secundário

4.104

Diâmetro de cada fio de aço, cabo secundário

4.98mmm

Comprimento total de fio de aço nos cabos secundários

20.000km

Profundidade do pilar principal sul abaixo do nível da água

80m

Profundidade do pilar principal norte abaixo do nível da água

35m

Viaduto do acesso Norte, construído com betão pré-esforçado

Comprimento total

945,11m

Número de vãos

14

Vão maior

76m

Acessos rodoviários Norte e Sul

Comprimento total aproximado

30Km

Número de estruturas de betão armado e pré-esforçado

32

Vão maior

76m

Quantidades aproximadas

Aço trabalhado e montado

72.600t

Betão necessário para a construção

263.000m3

Remoção de terras e rochas

6.500.000m3

Empresas que trabalharam directamente na obra (das quais 11 portuguesas)

14

Máximo de trabalhadores que diariamente estiveram na obra

3.000

Número de homens-dia empregados na execução da obra

2.185.000

Custo da ponte e acessos rodoviários

2 145 000 contos

Localização

AE 2 Sul, km 5, lanço Lisboa / Almada Concelho - Lisboa / Almada

Publicações

A Ponte Salazar / Ministério das Obras Públicas, Gabinete da Ponte sobre o Tejo. - [Lisboa] : GPST, 1966 (reimp. 1992). € 25,24

Le pont Salazar / Ministério das Obras Públicas, Gabinete da Ponte sobre o Tejo. - [Lisboa] : GPST, [1966?] (reimp. 1992). € 25,24

The Salazar bridge / Gabinete da Ponte sobre o Tejo, Ministério das Obras Públicas. - [Lisboa] : GPST, 1966 (reimp. 1992).

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

UMA DECISÃO PARA LAMENTAR

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O acordo ortográfico contribui para abolir as variantes cultas das palavras e as suas ligações etimológicas. A língua portuguesa torna-se mais pobre e distante das suas raízes, transformando-se num idioma de laboratório 
A semana passada foi marcada pela rejeição, pelo parlamento, da proposta do PCP de abandono do acordo ortográfico. Trata-se de decisão que demonstra bem a insensibilidade dos nossos deputados, uma vez que, perante o desastre que está a ser a aplicação deste acordo, o parlamento prefere ignorar o que se está a passar, assistindo pacificamente à destruição total da língua portuguesa. Porque de facto, com este acordo ortográfico, o português europeu está a transformar-se num estranho dialecto, com regras escritas incompreensíveis, que se afastam da sua etimologia e das restantes línguas latinas. Com a agravante de nem sequer haver qualquer uniformização com os outros países de língua portuguesa que ou não aplicam o acordo ou do mesmo resulta que sigam regras diferentes, graças à pronúncia que utilizam.
Um bom exemplo disto resulta da recente tradução do livro da escritora argentina María Gainza, que em espanhol se chama “El nervio óptico”, mas que no português acordista se transforma em “O Nervo Ótico”. O problema é que sempre se utilizou na língua portuguesa a expressão “ótico” como relativa ao ouvido, reservando-se o termo “óptico” para a visão. Tal é o significado dos respectivos antecedentes gregos “otikos” e “optikos”. O acordo ortográfico aboliu esta distinção essencial, mas apenas no português de Portugal, continuando a distinção a existir no português do Brasil. Será que isto faz algum sentido?
E o mesmo sucede com outras palavras como “recepção”, “concepção”, que se conservam sem alterações na ortografia brasileira, mas que na portuguesa passam a “receção” e “conceção”, facilmente confundíveis com “recessão” e “concessão”. Qual a necessidade de abolir a grafia anterior se o que se consegue é criar uma ortografia que ainda mais se diferencia da dos outros países lusófonos?
Isto já para não falar da multiplicação dos erros de escrita que o acordo ortográfico causou, com a absurda directriz de querer abolir as consoantes mudas, estando muita gente a abolir consoantes que continuam a pronunciar--se. É assim que já se viu aparecer erros como “fato”, “ineto”, “corruto”, que demonstram bem a falta de critério na abolição das consoantes pretensamente mudas.
E por último deveria salientar-se o facto de o acordo ortográfico contribuir para levar à abolição das variantes cultas das palavras e às ligações etimológicas das mesmas. Assim, a expressão culta “ruptura”, mais próxima do latim, foi transformada em “rutura”, esquecendo-se que já existia a variante popular “rotura”. Fala-se em “ótico” para a visão, mas esquece-se que a medição da mesma continua a ser a “optometria”. E os egípcios, pelos vistos, passaram agora a viver no “Egito”, esquecendo-se que a palavra Egipto tem origem no deus Ptah que, que se saiba, ainda não passou a Tah. Com o acordo ortográfico, a língua portuguesa torna-se assim mais pobre e distante das suas raízes, transformando-se num idioma de laboratório.
Na banda desenhada “Spirou e Fantásio”, da autoria de Franquin, aparece um vilão chamado Zorglub que pretende criar uma ditadura alterando o cérebro das pessoas, o que as faz falar e escrever numa nova língua, a zorglíngua, em que todas as palavras surgem ao contrário. Esperava-se que um parlamento democrático, como o português, nos livrasse deste triste destino. Mas afinal, graças aos restantes partidos, com excepção do PCP, vai tudo continuar como dantes. Isto não foi uma decisão parlamentar, foi uma decisão para lamentar.

Luís Menezes Leitão in "jornal
i"
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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

O CASO PROFUMO (1963)



Profumo scandal wasn’t about sex — it was about spying

It’s seen as a morality tale with Christine Keeler at its heart, but the really interesting person is the largely forgotten KGB agent

On June 14, 1963, nine days after John Profumo resigned in a welter of scandal over his affair with Christine Keeler, a spy deep inside the KGB sent a sensational report to his American handler.

The KGB spy, who has never been identified, reported that “the Russians had in fact received a lot of useful information from Profumo from [sic] Christine Keeler, with whom Ivanov had established contact, and in whose apartment Ivanov had even been able to lay on eavesdropping operations at appropriate times”.

The “Ivanov” in question was Yevgeni Mikhailovitch Ivanov, a Soviet intelligence officer posing as assistant naval attaché in the Soviet embassy in London, who had also had an affair with Keeler. It was the fact that a British cabinet minister had been sharing the favours of a call girl with a Soviet agent and lying about it that precipitated Profumo’s resignation.

Yet Ivanov is often treated as a bit-player in the drama. It was assumed that Keeler was simply too dim to have passed on important secrets as pillow-talk, and that British national security was never compromised. The Profumo case is treated as a moral saga rather than an espionage case.

In fact, Profumo was the target of a highly sophisticated and successful Soviet intelligence operation. He was about to be blackmailed by the Russian spy. MI5 had got wind of what was happening, but, as with more modern intelligence failures, didn’t do anything about it.

And at the centre of the Profumo saga stands the shadowy figure of Ivanov: louche, seductive and extremely dangerous.

Ivanov arrived in London in March 1960, ostensibly a low-level diplomat, but in reality an officer of the GRU, the military counterpart of the KGB. With his broken nose and fractured English, Ivanov was an unlikely lothario, but during an earlier posting in Norway he had proved himself a serial womaniser, who may have been sent to London with the avowed purpose of worming his way into the confidence, and the beds, of women in or on the fringes of high society.

At the Garrick Club, the editor of The Daily Telegraph, Colin Coote, introduced Ivanov to Stephen Ward, a fashionable osteopath, sexual eccentric, portrait painter and party-giver, who was also said to procure women for powerful men.

In 1961 at a party at Lord Astor’s Cliveden estate, Ward introduced Profumo, the secretary of state for war, to Christine Keeler, a 19-year-old showgirl and sometime model, with whom he started an affair. She called it a “very, very well-mannered screw of convenience”. It would prove exceptionally inconvenient for Profumo and the British government. During the same weekend, Ivanov and Profumo had a swimming race.

Ward was strongly pro-Soviet and was used by Ivanov to try to extract information from Profumo. Ward “practically worked for me and concealed nothing”, Ivanov later claimed. Ward also introduced his glamorous Russian contact to his powerful and well-born friends, including Princess Margaret, with whom Ivanov flirted outrageously: “He admired her lovely hair and she was furious when he pretended he did not think it was her real colouring.”

MI5, meanwhile, was taking an interest in Ivanov and may have tried, unsuccessfully, to recruit him as a double agent through Ward.

The Russians got important information through Keeler

In June 1961, shortly before the Keeler-Profumo affair started, Ward was interviewed by the MI5 officer Keith Wagstaffe (who used the pseudonym “Wood”). A complacent figure in a bowler hat, Wagstaffe reported: “Ward, who has an attractive personality and talks well, was completely open about his association with Ivanov. Despite the fact that some of his political ideas are certainly peculiar and exploitable by the Russians, I do not think he is of security interest.”

The Foreign Office even used Ward to pass messages to and from the Russians. At the height of the Cuban Missile Crisis Ivanov passed a message to the British permanent under-secretary Harold Caccia, stating “that the Soviet government looked to the United Kingdom as their one hope of conciliation”.

Ivanov, meanwhile, was trying to get his hooks into Profumo. Keeler later revealed that at the end of 1962 or the beginning of 1963, “she had been asked by Mr Ward to try to obtain secret information from Mr Profumo”.

According to the historian Jonathan Haslam, Keeler handed over love letters written to her by Profumo. The Russian spy also claimed to have used a hidden camera to take photographs of Keeler and Profumo making love in Ward’s home at 17 Wimpole Mews, with a view to blackmail.

Yet Ivanov is often treated as a bit-player in the drama. It was assumed that Keeler was simply too dim to have passed on important secrets as pillow-talk, and that British national security was never compromised. The Profumo case is treated as a moral saga rather than an espionage case.

In fact, Profumo was the target of a highly sophisticated and successful Soviet intelligence operation. He was about to be blackmailed by the Russian spy. MI5 had got wind of what was happening, but, as with more modern intelligence failures, didn’t do anything about it.

And at the centre of the Profumo saga stands the shadowy figure of Ivanov: louche, seductive and extremely dangerous.

Ivanov arrived in London in March 1960, ostensibly a low-level diplomat, but in reality an officer of the GRU, the military counterpart of the KGB. With his broken nose and fractured English, Ivanov was an unlikely lothario, but during an earlier posting in Norway he had proved himself a serial womaniser, who may have been sent to London with the avowed purpose of worming his way into the confidence, and the beds, of women in or on the fringes of high society.

At the Garrick Club, the editor of The Daily Telegraph, Colin Coote, introduced Ivanov to Stephen Ward, a fashionable osteopath, sexual eccentric, portrait painter and party-giver, who was also said to procure women for powerful men.

In 1961 at a party at Lord Astor’s Cliveden estate, Ward introduced Profumo, the secretary of state for war, to Christine Keeler, a 19-year-old showgirl and sometime model, with whom he started an affair. She called it a “very, very well-mannered screw of convenience”. It would prove exceptionally inconvenient for Profumo and the British government. During the same weekend, Ivanov and Profumo had a swimming race.

Ward was strongly pro-Soviet and was used by Ivanov to try to extract information from Profumo. Ward “practically worked for me and concealed nothing”, Ivanov later claimed. Ward also introduced his glamorous Russian contact to his powerful and well-born friends, including Princess Margaret, with whom Ivanov flirted outrageously: “He admired her lovely hair and she was furious when he pretended he did not think it was her real colouring.”

MI5, meanwhile, was taking an interest in Ivanov and may have tried, unsuccessfully, to recruit him as a double agent through Ward.

The Russians got important information through Keeler

In June 1961, shortly before the Keeler-Profumo affair started, Ward was interviewed by the MI5 officer Keith Wagstaffe (who used the pseudonym “Wood”). A complacent figure in a bowler hat, Wagstaffe reported: “Ward, who has an attractive personality and talks well, was completely open about his association with Ivanov. Despite the fact that some of his political ideas are certainly peculiar and exploitable by the Russians, I do not think he is of security interest.”

The Foreign Office even used Ward to pass messages to and from the Russians. At the height of the Cuban Missile Crisis Ivanov passed a message to the British permanent under-secretary Harold Caccia, stating “that the Soviet government looked to the United Kingdom as their one hope of conciliation”.

Ivanov, meanwhile, was trying to get his hooks into Profumo. Keeler later revealed that at the end of 1962 or the beginning of 1963, “she had been asked by Mr Ward to try to obtain secret information from Mr Profumo”.

According to the historian Jonathan Haslam, Keeler handed over love letters written to her by Profumo. The Russian spy also claimed to have used a hidden camera to take photographs of Keeler and Profumo making love in Ward’s home at 17 Wimpole Mews, with a view to blackmail.

As a member of the cabinet defence committee, Profumo was privy to vital Cold War secrets. He knew about details of negotiations with America to give West Germany access to nuclear weapons, plans to hand over control of Scottish naval facilities to America in exchange for Polaris-firing submarines, and Britain’s chronic lack of preparation for chemical or biological attack.

Ivanov claimed that he had twice been left alone in Profumo’s study, in Nash House on Chester Terrace, by Valerie Hobson, Profumo’s actress wife, and had taken the opportunity to photograph secret documents using a miniature Minox camera. Among the information that Ivanov passed back to Moscow were details of the top-secret X-15 experimental high-altitude hypersonic aircraft and “plan M-70”, for the deployment of tactical nuclear weapons in Europe.

Ivanov wrote an account of his espionage in the 1990s, entitled The Naked Spy, but the British translation omitted the details of his clandestine photography for fear that Hobson might sue for libel. Haslam studied the full Russian version and revealed the details of Ivanov’s espionage in his 2015 book Near and Distant Neighbors.

The GRU undoubtedly planned to go farther and force Profumo into revealing everything he knew. At the end of 1961 Ivanov flew back to Moscow to be briefed by the head of the GRU’s British department, one Captain Ievlev, who outlined a classic blackmail operation: “The idea was to confront Profumo with evidence of his indiscretions, including photocopies of the documents, in order to press him into service.”

The agent who set the story in train remains largely forgotten

The scandal exploded before the plot could be put into operation. The disintegration of Keeler’s private life brought into the open the fact that she had been sleeping with a cabinet minister and a Russian spy. Profumo first denied any impropriety, but later admitted the affair and resigned.

The British public and press responded with what Macaulay called “one of its periodic fits of morality”, but in reality this was a highly complex and extremely significant case of Cold War espionage: the Russians were attempting to blackmail a British minister; the government was using a dodgy osteopath to pass messages to an even dodgier Russian spy; MI5 had interviewed a key figure in the case and missed the danger signals.

The Profumo story was more than a mere sex scandal. It was a significant security breach and a direct threat to western military secrecy — and the Americans, through their unnamed KGB spy, knew it. The suggestion that Ivanov had bugged Keeler’s flat was probably speculation, but the report that the Russians had obtained important information from Profumo through Keeler was certainly true.

According to declassified FBI files, the spy working for the US was based in one of the KGB’s overseas residencies (or stations); he overheard the description of Ivanov’s espionage in Britain from a colonel in the Soviet mission to the UN, and in June informed his American handler. The agent’s report was hand-delivered to Robert Kennedy, who was then the US attorney general, to pass to his brother, the president, who was due to meet the British prime minister, Harold Macmillan, the next month. A secret cablegram, sent by the head of the FBI, J Edgar Hoover, to the FBI in London, read: “President reportedly concerned lest there are hidden ramifications which might affect his forthcoming conference with Macmillan.”

According to Christopher Andrew, the authorised historian of MI5, Hoover did not inform MI5 of the report for several years, probably because he believed that “the British leak like a sieve”.

Profumo was disgraced. Keeler was found guilty of perjury charges and sentenced to nine months in prison. Ward was charged with immorality offences, abandoned by his society friends and convicted of living off immoral earnings. He took an overdose of sleeping pills and died three days later. The Macmillan government was fatally undermined.

A joint MI5-MI6 working party, set up immediately after the scandal, investigated whether the “Russian intelligence service had a hand in staging the Profumo affair in order to discredit Her Majesty’s Government” and concluded that it had not. However, in reality the affair was not a scandal manufactured for Soviet propaganda purposes, but a very successful espionage operation that burrowed into the heart of the British government and extracted secret military plans of the highest importance.

“Had a conflict between Nato and the Warsaw Pact broken out at the moment, Soviet knowledge of these plans would have enabled them to inflict severe damage on western conventional forces,” Haslam writes.

Keeler and Profumo became household names, bywords for 1960s sexual scandal and hypocrisy, but the Russian agent who set the whole extraordinary story in train remains mysterious and largely forgotten. He was recalled to Moscow as the Profumo scandal broke. Despite his earlier success, when Ivanov’s involvement as Keeler’s sometime lover became public it embarrassed the GRU and led to his demotion. “Christine Keeler was my biggest mistake,” he later said. “She wrecked my career.”

Ivanov drank himself to death in 1994, at the age of 68.

According to Christopher Andrew, the authorised historian of MI5, Hoover did not inform MI5 of the report for several years, probably because he believed that “the British leak like a sieve”.

Profumo was disgraced. Keeler was found guilty of perjury charges and sentenced to nine months in prison. Ward was charged with immorality offences, abandoned by his society friends and convicted of living off immoral earnings. He took an overdose of sleeping pills and died three days later. The Macmillan government was fatally undermined.

A joint MI5-MI6 working party, set up immediately after the scandal, investigated whether the “Russian intelligence service had a hand in staging the Profumo affair in order to discredit Her Majesty’s Government” and concluded that it had not. However, in reality the affair was not a scandal manufactured for Soviet propaganda purposes, but a very successful espionage operation that burrowed into the heart of the British government and extracted secret military plans of the highest importance.

“Had a conflict between Nato and the Warsaw Pact broken out at the moment, Soviet knowledge of these plans would have enabled them to inflict severe damage on western conventional forces,” Haslam writes.

Keeler and Profumo became household names, bywords for 1960s sexual scandal and hypocrisy, but the Russian agent who set the whole extraordinary story in train remains mysterious and largely forgotten. He was recalled to Moscow as the Profumo scandal broke. Despite his earlier success, when Ivanov’s involvement as Keeler’s sometime lover became public it embarrassed the GRU and led to his demotion. “Christine Keeler was my biggest mistake,” he later said. “She wrecked my career.”

Ivanov drank himself to death in 1994, at the age of 68.
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quarta-feira, 15 de julho de 2015

“ESTÓRIAS” DA HISTÓRIA


PALMA INÁCIO: TERRORISTA, BANDIDO OU HERÓI?

O cidadão Palma Inácio faleceu no dia 14 de Julho de 2009, faz agora quatro anos. Na altura escreveram-se algumas imprecisões históricas, ignoraram-se convenientemente factos, branquearam-se acções e fizeram-se elogios patéticos. Como estamos no campo da opinião, também queremos dar a nossa.
O conceito de “terrorismo” vem da Antiguidade Clássica e devemos remontar à seita dos “Assassinos” (Século XII) e ao “Velho da Montanha”, para encontrar o seu início organizado.
Até hoje não se acordou numa definição de terrorismo dada a dificuldade objectiva de o fazer. Isto é, para uns, o autor de um acto tido como terrorista é, para outros, um acto de heroísmo em defesa de uma causa. Isto, para não entrarmos no conceito do próprio Estado poder ser considerado terrorista…
De qualquer modo, terrorismo ou não, queremos referir-nos sempre a actos de violência que implicam, ou podem implicar mortes e danos – inclusivé pretender infundir o terror – e que visam objectivos políticos, ou simples violência gratuita.
Por outro lado, o delito comum está ligado aos crimes de assassínio, estupro, roubo, etc., que visam motivações de ordem pessoal.
Herói, por seu turno, vem do grego “héros”, homem extraordinário pelas suas proezas guerreiras; protagonista duma obra literária (depreciativo); homem notável pelos seus desmandos ou irregularidades. 
Palma Inácio (PI) foi um exemplo acabado em como “a ocasião faz o ladrão”.
Vejamos como tudo começou.
Palma Inácio nasceu algarvio, em Ferragudo, no ano de 1922. Filho de família modesta, nada se conhece da sua infância que seja relevante para o que estamos a tratar.
Concorreu à Aeronáutica Militar com 18 anos e em 1946 encontrava-se a prestar serviço na Base Aérea (BA1) em Sintra, como ajudante de mecânico de aviões, tendo atingido o posto de furriel.
Segundo depoimento do Capitão Graciano chefe dos mecânicos da BA1 2 e também responsável pela manutenção dos aviões do Aeroclube de Portugal (ACP) que operavam a partir da base, PI era “ambicioso, refilão, com tendência para a indisciplina, insatisfeito, revelando por vezes menos simpatia para com o regime político (através de desabafos). Fundamentalmente revelava inconformismo com a sua situação. Queria ser piloto, mas não tinha habilitações mínimas para concorrer ao curso de praças pilotos”.
Não tendo dinheiro para tirar o curso no ACP pediu para ser ajudante do Cap. Graciano como funcionário daquele aeroclube, o que foi aceite e lhe proporcionou uma nova remuneração. Conseguiu ainda ser mecânico do avião "Dragon" que fazia voos de fotografia aérea aos fins – de - semana para os serviços geográficos e cadastrais.
Este pecúlio extra permitiu que se inscrevesse no ACP a fim de tirar o brevet de piloto civil. Caiu então na tentação de roubar gasolina dos aviões militares para os aviões do ACP, permitindo-lhe, deste modo, fazer mais horas de voo com menos despesa (registava uma quantidade de gasolina superior à que metia nos depósitos; o excedente, impróprio para consumo, juntava num bidon e utilizava posteriormente nos aviões do ACP). Na caderneta de voo escrevia ainda um total de horas, menor do que realmente fazia, pagando assim menos. Tudo isto representava procedimentos irregulares do ponto de vista disciplinar e da segurança de voo.
Num dia de Setembro resolveu dar um passeio de avião ao Ribatejo para ir apanhar melões, mas na tentativa de aterragem sofreu um acidente tendo o avião ficado partido bem como as pernas do passageiro, o Pcb Costa Pereira, que aliciara para a aventura.
O Comandante da BA1, TCor Filipe Gomes Vieira quis saber como era possível, dois mecânicos andarem a voar num avião do ACP durante as horas de serviço e mandou instaurar um processo de averiguações do que resultou descobrir-se toda esta trama.
O Comandante puniu PI com 10 dias de prisão disciplinar agravada, o que foi agravado para 20 dias, pelo Comandante Geral da Aeronáutica Militar. Tal castigo, à luz da legislação de então, obrigava o punido a abandonar as fileiras. PI jurou vingança.
Como gozava de fama de ser competente como mecânico rapidamente arranjou emprego, sendo admitido na Companhia Aérea KLM, em Lisboa.
Em 10 de Abril de 1947 teve epilogo um movimento de contestação ao “Estado Novo” onde estava implicado o Brigadeiro de Aeronáutica António de Sousa Maia.
PI ter-se-á ligado a este movimento por ver aí a oportunidade de satisfazer o seu desejo de vingança. Aparentemente foi aliciado para a acção por um ex-tenente Quintão, após encontro com este na Praça do Chile (o que PI mais tarde viria a negar). Deste modo o nosso “herói” foi encarregue de sabotar os aviões da BA1, tendo-lhe sido acenado com uma posterior promoção a major.
Assim, na noite de 9 para 10 de Abril de 1947, PI cortou (ou serrou) os cabos de comando a vários aviões "Tiger Moth", "T-6" e "DC3", num total de 35. No caso participou o Pcab mecânico Gabriel Gomes (não por ser revolucionário, mas por ser amigo de PI) que o introduziu e retirou do hangar.
A conjura, onde também esteve implicado o cidadão João Lopes Soares (pai do Dr. Mário Soares), falhou e PI ficou a monte. O TCor Vieira acabou por não ir frequentar o curso de promoção …
Por curiosidade refira-se que PI tinha um irmão mais novo, Jaime Inácio da Palma, que fez carreira na FA como mecânico de material aéreo. Mas em tudo diferia do irmão e não concordava “com os seus métodos de actuação”.
E foi assim que começou a vida “revolucionária” e “romântica” deste ícone do “reviralho”.
De facto algumas das suas acções ficaram célebres, mas não pelas melhores razões. Ao fim e ao cabo, que feitos dignos de nota, conseguiu PI?
Já analisámos a participação na conspiração de 1947, que resultou em prisão, fuga e exílio. A partir daqui PI deambulou um pouco pelo mundo, até que em 1959 conhece Humberto Delgado e Henrique Galvão, no Brasil. Volta à conspiração.
Em 11 de Novembro de 1961 assalta e desvia o "Super Constellation" da TAP que fazia o percurso Casablanca/Lisboa, com o objectivo de lançar panfletos sobre Lisboa, o que consegue. Daqui nada resulta na prática para além de um embaraço para o governo de Lisboa. Mas inaugurou a época da pirataria aérea moderna (como a seguir aconteceria no mar com o assalto ao paquete Santa Maria – nós temos que estar na vanguarda de algo!) que tantas dores de cabeça têm dado ao mundo em geral e ao Ocidente em particular.
Resta ainda saber até que ponto é lícito e moral arriscar a vida de cidadãos comuns e pôr em causa bens nacionais, para beneficiar ideias políticas ou personalidades, que estavam longe de colher apoio ou simpatia na esmagadora maioria dos portugueses.
Um ano antes do seu passamento o jornal “Correio da Manhã” promoveu um encontro entre este elemento “antifascista” e o então comandante Marcelino, e a chefe do pessoal de cabine. Foi uma festa! Há gente que não tem mesmo vergonha na cara…
De Marrocos, cujas autoridades se recusaram a extraditá-lo, parte novamente para o mundo. E regressa à conspiração.
A ausência leva alguns anos e devem-se ter esquecido dele. Até que no dia 17 de Maio de 1967, reaparece à frente de uma quadrilha – que lhe devemos chamar? - e assalta a dependência do Banco de Portugal na Figueira da Foz. Roubam 28.000 contos, uma fortuna para a época. A fuga é aparatosa e acaba em Paris.
A PIDE põe-se em campo e através do rasto de notas deixadas pelo caminho levam as autoridades francesas a prendê-lo. É então que entra em cena um elemento da oposição dita democrática, com provas dadas de seriedade, o Dr. Emídio Guerreiro e que inventa a criação da LUAR, a fim de dar um cariz politico ao roubo e assim evitar a extradição do preso para Lisboa. É deste modo que é criada a LUAR, em 19 de Junho de 1967, um mês após a “Operação Mondego”. Com este argumento as autoridades francesas impediram a entrega de PI à justiça portuguesa. A PIDE infiltra entretanto a LUAR e consegue recuperar 22.000 contos do dinheiro roubado, em duas "tranches" de 11.000. 3.000 contos tinham sido gastos pelos “amigos do alheio” e 3.000 foram entregues a Emídio Guerreiro que os depositou numa conta na Suíça. Quando se dá a “Revolução dos Cravos”, 1500 contos que restavam desta última quantia, foram entregues por Emídio Guerreiro a PI para serem entregues ao Banco de Portugal, mas desapareceram. E este é um dos episódios que levaram estes dois personagens a, mais tarde, acusarem-se mutuamente e irem a tribunal.
De tudo resultou ser PI o último preso a ser libertado de Caxias após o 25 de Abril, já que muitos o consideravam um preso de delito comum. Resta ainda acrescentar que a LUAR ainda realizou em França e Luxemburgo assaltos à mão armada a carrinhas que carregavam as economias dos nossos emigrantes.
Ainda hoje não há conhecimento de quais as actividades levadas a cabo contra o regime de Salazar, com o produto destes roubos … Aliás o insuspeito Jaime Serra (da ARA - Acção Revolucionária Armada) acusou a LUAR, em entrevista ao DN de 13/2/99, de “ter cometido actos criminosos a coberto de motivações políticas”.
PI volta a aparecer no ano seguinte em Portugal sendo o objectivo agora tomar a cidade da Covilhã com meia dúzia de novatos. A operação que ninguém sabe explicar como se fazia ou para que serviria, nem se desencadeia, sendo o grupo preso pela polícia. Nova fuga e exílio.
Finalmente infiltra-se novamente no continente com o intuito de raptar figuras políticas, a fim de serem trocadas por presos políticos. De novo é preso e assim fica até ser libertado pelos revolucionários de Abril de 74.
De facto PI nunca conseguiu nada a não ser manchar o seu nome com o epíteto de traidor, pois realizou acções que objectivamente favoreceram os inimigos do seu país, que então desenvolvia extensas operações militares de contra guerrilha e afirmação de soberania. PI não tinha, aparentemente, ideário político, nunca escreveu um manifesto e não se lhe conhece uma ideia. A única coisa que mostrou competência foi em fugir das prisões.
Foi este personagem que esta terceira República elegeu como herói e referência nacional, que o então PR Mário Soares quis atribuir a Ordem da Liberdade, ao que se opuseram toda a Casa Militar e não só. Mário Soares não se atreveu a levar por diante a sua intenção - estranha-se pois os elogios que só na data da morte assumiu na sua plenitude – a qual só foi concretizada pelo seu sucessor, Jorge Sampaio, no ano 2000, mas a que nem sequer se deu à decência de assumir, estando presente, deixando o encargo ao vate Alegre.
A necessidade de presentear PI com uma pensão (paga por todos nós) parece ter sido o motivo principal para lhe atribuir a comenda, já que pelos vistos o irrequieto Inácio tinha uma má relação com o dinheiro e não apreciava muito emprego das nove às cinco.
“Mutatis Mutandis”, a maioria do povo português que nunca lhe passou pela cabeça aprovar as diatribes criminosas de semelhante abencerragem, foi condecorada com um atestado de reprovação e censura.
O Partido Socialista obsequiou-o e está-lhe reverente e obrigado. Estamos elucidados.
Aguardamos, pois, em jubilosa esperança, a transladação deste digno descendente de Gamas, Albuquerques e Cabrais, para o lugar que sem dúvida alguma merece, no Panteão Nacional.

João José Brandão Ferreira
Oficial Piloto Aviador


sexta-feira, 1 de maio de 2015

DEGRADAÇÃO

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Tacticamente tudo se percebe. Do ponto de vista da baixa táctica política até a coisa parece habilidosa.
Desde 2011 que nenhuma sondagem dá maioria absoluta ao Partido Socialista. Donde se segue que para aguentar um governo minoritário – principalmente um que se pretende reformista – é preciso um Presidente cúmplice, muito mais cúmplice do que foi Cavaco com o CDS e o PSD. Mas para ser elegível esse Presidente não pode ter a mais leve animosidade do PC, do Bloco e da poeira dos pequenos grupos da extrema-esquerda. Ora, como ao fim de 40 anos não há gente dessa, a franja radical do PS acabou por inventar uma não-pessoa, um saco vazio onde venha donde vier qualquer militante ou simples simpatizante não se importará de meter o seu voto: no caso o sr. Sampaio da Nóvoa.
Meia dúzia de homens de músculo político agarraram na criatura e resolveram enfiar a dita sem grande cerimónia pela goela aberta de um povo miserável e de uma “classe dirigente” sem destino ou vergonha. Claro que os socialistas nunca na vida mostraram o menor escrúpulo em organizar esta espécie de operação. Basta lembrar que o dr. António Costa tomou o partido de assalto com uma grande dose de brutalidade e demagogia, perante a equanimidade e o deleite dos seus queridíssimos camaradas. Agora, a ideia é fazer o mesmo com o país: a tradição ajuda. Soares como Sampaio estão ali para o trabalho sujo. Sampaio com o vácuo de uma cabeça onde nunca entrou nada; Soares com ar rusé, que de quem continua a puxar os fios da intriga. E Manuel Alegre com a sua insofrível jactância e pretensão moral.
O candidato, esse, não conta. Cita Sophia de Mello Breyner, “Zeca” Afonso e Sérgio Godinho, e com esta mistura de um lirismo torpe faz declarações sem propósito ou consequência. Promete (imaginem só) não se “resignar” à “destruição do Estado Social”, à pobreza, ao desemprego, à “exclusão” ou à mais leve força que “ponha em causa a dignidade humana”. Como tenciona fazer isto, não confessa. Promete “agir” com “integridade e honradez”, coisa que deve tranquilizar a populaça já com muito pouco para espremer. E promete, para nossa perplexidade e espanto, não assistir “impávido” à “degradação da nossa vida pública”. Não percebe ele que a sua própria candidatura, fabricada por meia dúzia de maiorais do PS, à revelia dos portugueses (que nem o conhecem), é o mais grave e humilhante sinal da “degradação da nossa vida pública”?
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Vasco Pulido Valente in "Público" (01-05-2015)
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