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segunda-feira, 1 de março de 2010

EU TIVE UM SONHO

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Traumatizado pelo estado de desertificação das serras do interior da Ilha da Madeira, muito especialmente da região a Norte do Funchal e que constitui as bacias hidrográficas das três ribeiras que confluem para o Funchal, dando-lhe aquela fisiografia de perfeito anfiteatro, aliado a recordações da infância passada junto à margem de uma das mais torrenciais dessas ribeiras - a de Santa Luzia - o mundo dos meus sonhos é frequentemente tomado por pesadelos sempre ligados às enxurradas invernais e infernais dessa ribeira. Tive um sonho. Adormecendo ao som do vento e da chuva fustigando o arvoredo do exemplar Bairro dos Olivais Sul onde resido, subia a escadaria do Pico das Pedras, sobranceiro ao Funchal. Nuvens negras apareceram a Sudoeste da cidade, fazendo desaparecer o largo e profundo horizonte, ligando o mar ao céu. Acompanhavam-me dois dos meus irmãos - memórias do tempo da Juventude - em que nós, depois do almoço, íamos a pé, subindo a Ribeira de Santa Luzia e trepando até à Alegria por alturas da Fundoa, até ao Pico das Pedras, Esteias e Pico Escalvado. Mas no sonho, a meio da escadaria de lascas de pedra, o vento fez-nos parar, obrigando-nos a agarrarmo-nos a uns pinheiros que ladeavam a pequena levada que corria ao lado da escadaria. Lembro-me que corria água em supetões, devido ao grande declive, como nesses velhos tempos. De repente, tudo escureceu. Cordas de água desabaram sobre toda a paisagem que desaparecia rapidamente à nossa volta. O tempo passava e um ruído ensurdecedor, semelhante a uma trovoada, enchia todo o espaço. Quanto durou, é difícil calcular em sonhos. Repentinamente, como começou, tudo parou; as nuvens dissiparam-se, o vento amainou e a luz voltou. Só o ruído continuava cada vez mais cavo e assustador. Olhei para o Sul e qualquer coisa de terrível, dantesco e caótico se me deparou. A Ribeira de Santa Luzia, a Ribeira de S. João e a Ribeira de João Gomes eram três grandes rios, monstruosamente caudalosos e arrasadores. De onde me encontrava via-os transformarem-se numa só torrente de lama, pedras e detritos de toda a ordem. A Ribeira de Santa Luzia, bloqueada por alturas da Ponte Nova - um elevado monturo de pedras, plantas, arames e toda a ordem de entulho fez de tampão ao reduzido canal formado pelas muralhas da Rua 31 de Janeiro e da Rua 5 de Outubro - galgou para um e outro lado em ondas alterosas vermelho acastanhadas, arrasando todos os quarteirões entre a Rua dos Ferreiros na margem direita e a Rua das Hortas na margem esquerda. As águas efervescentes, engrossando cada vez mais em montanhas de vagas espessas, tudo cobriram até à Sé - único edifício de pé. Toda a velha baixa tinha desaparecido debaixo de um fervedouro de água e lama. A Ribeira de João Gomes quase não saiu do seu leito até alturas do Campo da Barca; aí, porém, chocando com as águas vindas da Ribeira de Santa Luzia, soltou pela margem esquerda formando um vasto leito que ia desaguar no Campo Almirante Reis junto ao Forte de S. Tiago. A Ribeira de S. João, interrompida por alturas da Cabouqueira fez da Rua da Carreira o seu novo leito que, transbordando, tudo arrasou até à Avenida Arriaga. Um tumultuoso lençol espumante de lama ia dos pés do Infante D. Henrique à muralha do Forte de S. Tiago. O mar em fúria disputava a terra com as ribeiras. Recordo-me de ver três ilhas no meio daquele turbilhão imenso: o Palácio de S. Lourenço, a torre da Sé e a fortaleza de S. Tiago. Tudo o mais tinha desaparecido - só água lamacenta em turbilhões devastadores. Acordei encharcado. Não era água, mas suor. Não consegui voltar a adormecer. Acordado o resto da noite por tremenda insónia, resolvi arborizar toda a serra que forma as bacias dessas ribeiras. Continuei a sonhar, desta vez acordado. Quase materializei a imaginação; via-me por aquelas chapas nuas e erosionadas, com batalhões de homens, mulheres e máquinas, semeando urze e louro, plantando castanheiros, nogueiras, pau-branco e vinháticos; corrigindo as barrocas com pequenas barragens de correcção torrencial, canalizando talvegues, desobstruindo canais. E vi a serra verdejante; a água cristalina deslizar lentamente pelos relvados, saltitando pelos córregos enchendo levadas. Voltei a ouvir os cantares dolentes dos regantes pelos socalcos ubérrimos das vertentes. Foram dois sonhos. Nenhum deles era real; felizmente para o primeiro; infelizmente para o segundo.
Oxalá que nunca se diga que sou profeta. Mas as condições para a concretização do pesadelo existem em grau mais do que suficiente. Os grandes aluviões são cíclicos na Madeira. Basta lembrar o da Ribeira da Madalena e mais recentemente o da Ribeira de Machico. Aqui, porém, já não é uma ribeira, mas três, qualquer delas com bacias hidrográficas mais amplas e totalmente desarborizadas. Os canais de dejecção praticamente não existem nestas ribeiras e os cones de dejecção etão a níveis mais elevados do que a baixa da cidade. As margens estão obstruídas por vegetação e nalguns troços estão cobertas por arames e trepadeiras. Agradável à vista mas preocupante se as águas as atingirem. Estão criadas todas as condições, a montante e a jusante para uma tragédia de dimensões imprevisíveis (só em sonhos).
Não sei como me classificaria Freud se ouvisse este sonho. Apenas posso afirmar sem necessidade de demonstrações matemáticas que 1 mais 1 são 2, com ou sem computador. O que me deprime, porém, é pensar que o segundo sonho é menos provável de acontecer do que o primeiro.
Dei o alarme - pensem nele.
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Cecílio Gomes da Silva* (Engenheiro Silvicultor)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

CRISTIANO RONALDO SMITES VILLARREAL TO BECOME THE NEW GOD OF MADRID


God moves in mysterious ways. Theatrically, dramatically. Beautifully, brutally. Head held high, neck extended, shoulders back, spine straight, lips pursed. Chest heaving. Up, pause for effect, down again, air escaping His lungs, blowing sailboats to shore. A prelude, a performance, pulling the world towards Him before striking with great vengeance and furious anger. The hush became awe. Wonder. Let there be light, preferably a spotlight – and, lo, there was light! A flash and a thunderbolt scorched across the sky, ripping past Diego López. If Guti boasted the "heel of God" as Real Madrid finally won at Riazor three weeks ago, Cristiano Ronaldo boasted His destructive power as they defeated Villarreal last night.
The Word of God is the word down Madrid's way. Iker Casillas has long been Saint Iker, "a fallen angel" with the hands of God. As one column-writing loon put it: "
the day he came to earth, light shone upon his house like at the gate of Bethlehem when Christ was born." When David Beckham joined Madrid a particularly sycophantic suitor described him as "arriving barefoot, like Christ". And from the day Ronaldo took the same path, these most devout zealots have had him down as a candidate for beatification, his qualities exalted, his failings excused. Meanwhile, across the Spanish divide, Sport declared that Christ's address at the Sea of Galilee was, in fact, "a prophecy of Leo Messi". But this was something else. Something bigger. This was deification.
Last night God Himself appeared before the Santiago Bernabéu. Shiny faced, oily-haired, pouting and dressed in a Madrid shirt but God nonetheless. "Yesterday," opens AS's match report, "Cristiano was not just Cristiano but the whole of Christianity." Marca's cover, meanwhile, declared: "God came dressed as CR9".
The heel of God? Bah! The hands of God? So what?! Ronaldo has His creation, His omnipotence, His omnipresence. The whole package. Perfect teeth. Nice smell. A class act all the way. Today, Ronaldo is God. Not because, as in Richard Dawkins's famous description, he's the most unpleasant character in all fiction: jealous and proud of it, petty, unjust, unforgiving, a malevolent bully, capricious and megalomaniacal. But because last night Ronaldo was omnipresent and all-powerful, the creator supreme, an irresistible force as Madrid hammered Villarreal 6-2 to go back within two points of Barcelona, climb above them in terms of goals scored and rack up a 12th win out of 12 at home.
He was God because he "made" and scored the first, tumbling over and then belting in a free-kick so good, so quick, so vicious in its sudden dip, that one radio station began a search to find it a name to go with Cruyff Turns and Panenka Penalties. Because He created the third for Gonzalo Higuaín, racing down the right wing to slide a perfect first-time ball across. Because He laid the fifth on a plate for Kaká, wriggling through the challenges to leave the Brazilian one-on-one with López. And because He made the sixth for Xabi Alonso, cutting inside from the right and getting brought down for the penalty that He – very, very reluctantly and not without storming off the pitch in a strop at the end – let the former Liverpool midfielder take to score his first goal for the club.
As one editorial inevitably put it, Madrid won and convinced – they managed to
"vencer" and "convencer", which is still the task before them. Alonso played superbly, Marcelo terrified Villarreal every time he advanced and Higuaín got two more goals to give him 14, twice as many as Karim Benzema. But few noticed because last night was all about Cristiano Ronaldo; last night, he was everywhere and everything, dashing down the line, crashing to the turf, lashing at the ball, sprinting after lost causes, resuscitating moves, utterly engrossing, utterly all-encompassing. If Kaká belongs to Jesus, you could be forgiven for believing that the rest of the team belongs to Ronaldo.
While there have been signs of Madrid being a more impressive side collectively without Ronaldo; while there are times when his almost pathological desire to do it all is counter-productive; while every time Madrid win Marca says its down to Him and nothing to do with Manuel Pellegrini but every time they lose it's not His fault and everything to do with Pellegrini; while
He missed His big chance against Barcelona, something that Royston Drenthe was tried, convicted and sentenced for but for which Ronaldo was quickly forgiven; and while He did little during Wednesday night's defeat in Lyon, when He's this good He is irresistible. A beast.
Last night Madrid were given a slight helping hand by jelly-headed referee Muñiz Fernández – the first came from a free-kick which wasn't, the penalties for the second and sixth look a little generous but probably correct, and there's a hint of offside in the third – and Villarreal's defending was appalling, their back four suicidally high and so slow they're still out on the Bernabéu turf making tackles now. But still, Ronaldo was absolutely unbelievable; a whirlwind awarded four marks by AS. Out of three. Just before midnight in the cold concrete corridor of the stadium, a Villarreal player shook his head sadly and blew out his cheeks. "When he's playing like this," he said. "Ronaldo is completely unstoppable. Truly incredible."
"His performance can be summed up in just one word," insisted one Tomás Guasch: "¡olé!" Raising his eyebrows, the Villarreal goalkeeper López used as many to describe the free-kick that set Madrid on their way: "whoosh!" El País's headline simply called Him a "colossus." Most, though, were using rather more words. "One day, he'll win the ball, cross it in and head it home himself," claimed El Mundo. "Apart from the absurd paraphernalia that accompanies his free-kicks, he was impeccable. As well as shooting, taking the free-kicks, building the plays and giving passes, Cristiano Ronaldo is also the one that folds up the shirts, cleans the boots and cuts the grass. The only thing left for him to do is man the ticket office," wrote Roberto Palomar in Marca, "Ronaldo did everything. His activity was such that his team-mates just get in the way."
It is an uncomfortable and potentially damaging truth but this morning no one cares. And why would they? Ronaldo was, El Mundo, wrote: "the orchestra man, capable of doing everything a player can do in attack." For those with long memories, the remark struck a chord. The Internazionale and Barcelona coach Helenio Herrera famously once said of Madrid's greatest ever player: "if Pelé was the lead violinist Alfredo Di Stéfano was the entire orchestra." The implicit comparison was the greatest compliment they could have paid him. When it comes to Real Madrid, no one can compete with Di Stéfano. Not even God.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

NÃO, O QUE NOS ESTÁ A ACONTECER NÃO É NORMAL NEM TOLERÁVEL



A 25 de Junho de 2009, José Sócrates jantou com Henrique Granadeiro na casa de Manuel Pinho. O chairman da PT informou então o primeiro-ministro que a compra da TVI pela empresa de telecomunicações não se concretizaria. No dia seguinte, no Parlamento, Sócrates anuncia aos jornalistas que se vai opor a um negócio que, nessa altura, já não existia. Estranho? Não, como o mesmo Sócrates explicou quarta-feira: "Do ponto de vista formal, o Governo não foi informado."
Pronto, e assim está tudo resolvido. Do "ponto de vista formal" nunca nada aconteceu. A começar pelo conteúdo das escutas reveladas pelo Sol, pois o senhor presidente do Supremo Tribunal e o senhor procurador-geral entenderam não haver indícios de crime contra o Estado de direito nesses documentos.
Logo esses documentos não existem. E tudo o resto quer-se fazer passar por "normal". Ou seja, é normal que um ex-jotinha de 32 anos, Rui Pedro Soares, seja nomeado para a administração da PT e premiado com um salário anual de mais de um milhão de euros. É normal que esse "gestor" em ascensão trate com Armando Vara, um outro "gestor" de fresca data e socrático apadrinhamento, da compra da TVI pela PT e discuta com ele e com Paulo Penedos a melhor forma de afastar José Eduardo Moniz e acabar com o Jornal de Sexta. É normal que um jornal propriedade de um "grupo amigo" publique manchetes falsas para dar uma justificação política e económica à compra da TVI pela PT. É normal que seja depois esse "grupo amigo" a comprar a TVI beneficiando de apoios financeiros do BCP de Armando Vara e da PT. É normal que, na sequência dessa aquisição, Moniz deixe a direcção da estação e acabe o Jornal de Sexta. Se tudo isto é normal, também é normal que o BCP, que tinha uma participação no jornal Sol, tenha criado dificuldades de última hora à viabilização financeira daquele título, quando nele saíram as primeiras notícias sobre a investigação inglesa ao caso Freeport. Tal como é coincidência Vara já ser nessa altura administrador do BCP. Também será normal que o Turismo de Portugal tenha discriminado a TVI em algumas das suas campanhas - o mesmo, de resto, que fez com o PÚBLICO - e que o presidente desse organismo seja Luís Patrão, o velho amigo de Sócrates desde os tempos de liceu na Covilhã. Como normal será Mário Lino, ex-ministro das Obras Públicas, ter reuniões no ministério com Rui Pedro Soares quando o seu interlocutor natural é o presidente da PT. Como Lino disse à Sábado, é assim quando se conhece muita gente nas empresas. Como homem bem relacionado não se estranha que tenha recebido, de acordo com o Correio da Manhã, uma "cunha" de Armando Vara no âmbito do processo Face Oculta. No fundo é tudo boa gente.
Mas como todos estas factos padecem de várias "informalidades", passemos a eventos mais formais, que sabemos mesmo que aconteceram, que foram testemunhados e até deram origem a processos na ERC. Como o das pressões exercidas pelos assessores de José Sócrates para desencorajarem qualquer referência pelas rádios e televisões à investigação do PÚBLICO sobre as condições em que o primeiro-ministro completou a sua licenciatura. Como o de o Expresso, que rompeu o bloqueio e prosseguiu com a investigação, ter sofrido depois um "boicote claro" e "uma hostilidade total do primeiro-ministro", como escreveu esta semana o seu director, Henrique Monteiro. Ou como o das palavras ameaçadoras dirigidas por Sócrates a um jornalista do PÚBLICO por alturas do congresso em que foi eleito líder, em 2004: "Você tem de definir o que quer para a sua vida e para o seu futuro.
"Excessos de quem ferve em pouca água? Infelizmente não. A actuação metódica e planeada sempre foram uma marca deste primeiro-ministro e dos que lhe são mais próximos no PS. Por isso, quando Vara teve a tutela da comunicação social, criou um monstro chamado Portugal Global que integrava a RTP, a RDP e a Lusa e nomeou para a sua presidência um deputado do PS, João Carlos Silva. Pouco tempo depois, caído Vara em desgraça, seria José Sócrates a conseguir colocar na RTP o seu amigo Emídio Rangel. Um favor logo retribuído: na noite eleitoral que se seguiu (e que determinaria a demissão de Guterres), os únicos comentadores em estúdio foram o próprio Sócrates e o seu advogado, Daniel Proença de Carvalho; e na curta travessia do deserto até o PS regressar ao poder, Sócrates pôde ter, a convite de Rangel, um programa semanal de debate com Santana Lopes. Já primeiro-ministro apressou-se a propor um conjunto de leis - estatuto do jornalista, lei da televisão, lei sobre a concentração dos órgãos de informação - que se destinavam, segundo Francisco Pinto Balsemão, a "debilitar e enfraquecer os grupos privados" de informação - ou seja, os que não dependem do Governo. E não, não é verdade estarmos apenas perante mal-entendidos, excessos pontuais ou uma mera má relação com as críticas: estamos face a uma forma de actuar autoritária e que não olha a meios para atingir os fins. Até porque o que se relatou é apenas a pequena parte do que temos vivido (vide caso Crespo).Da mesma forma não existe nenhuma má vontade congénita dos jornalistas para fazer de Sócrates, como lamentou Mário Soares, o primeiro-ministro mais mal tratado pelos órgãos de informação. O que houve de novo foi Portugal ter como primeiro-ministro alguém que esteve várias vezes sob investigação judicial (por causa de um aterro sanitário na Cova da Beira, por causa do Freeport), cujo processo de licenciatura levantou dúvidas e que se distinguiu como projectista de maisons no concelho da Guarda. Isto para além de ter mostrado uma tal incontinência ao telemóvel que somou e soma dissabores em escutas realizadas noutros processos, como os da Câmara da Nazaré, da Casa Pia e, agora, no Face Oculta. Ainda é possível achar que tudo é normal? Ou porventura desculpável? Só se estivéssemos definitivamente anestesiados.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

SÓCRATES ATÉ QUANDO?


“Como explicar que o povo que foi sujeito da Revolução de Abril tenha hoje como Primeiro-ministro, transcorridos 35 anos, uma criatura como José Sócrates? Como podem os portugueses suportar passivamente há mais de cinco anos a humilhação de uma política autocrática, semeada de escândalos, que ofende a razão e arruína e ridiculariza o Pais perante o Mundo?”

Miguel Urbano Rodrigues
Pertenço a uma geração que se tornou adulta durante a II Guerra Mundial. Acompanhei com espanto e angústia a evolução lenta da tragédia que durante quase seis anos desabou sobre a humanidade.
Desde a capitulação de Munique, ainda adolescente, tive dificuldade em entender porque não travavam a França e a Inglaterra o III Reich alemão. Pressentia que a corrida para o abismo não era uma inevitabilidade. Podia ser detida.
Em Maio de 1945, quando o último tiro foi disparado e a bandeira soviética içada sobre as ruínas do Reichstag, em Berlim, formulei como milhões de jovens em todo o mundo a pergunta
«Como foi possível?»
Hitler suicidara-se uma semana antes. Naqueles dias sentíamos o peso de um absurdo para o qual ninguém tinha resposta. Como pudera um povo de velha cultura, o alemão, que tanto contribuíra para o progresso da humanidade, permitir passivamente que um aventureiro aloucado exercesse durante 13 anos um poder absoluto. A razão não encontrava explicação para esse absurdo que precipitou a humanidade numa guerra apocalíptica (50 milhões de mortos) que destruiu a Alemanha e cobriu de escombros a Europa?
Muitos leitores ficarão chocados por evocar, a propósito da crise portuguesa, o que se passou na Alemanha a partir dos anos 30.
Quero esclarecer que não me passa sequer pela cabeça estabelecer paralelos entre o Reich hitleriano e o Portugal agredido por Sócrates. Qualquer analogia seria absurda.
São outros o contexto histórico, os cenários, a dimensão das personagens e os efeitos.
Mas hoje também em Portugal se justifica a pergunta «Como foi possível?»
Sim. Que estranho conjunto de circunstâncias conduziu o País ao desastre que o atinge? Como explicar que o povo que foi sujeito da Revolução de Abril tenha hoje como Primeiro-ministro, transcorridos 35 anos, uma criatura como José Sócrates? Como podem os portugueses suportar passivamente há mais de cinco anos a humilhação de uma política autocrática, semeada de escândalos, que ofende a razão e arruína e ridiculariza o Pais perante o Mundo?
O descalabro ético socrático justifica outra pergunta: como pode um Partido que se chama Socialista (embora seja neoliberal) ter desde o início apoiado maciçamente com servilismo, por vezes com entusiasmo, e continuar a apoiar, o desgoverno e despautérios do seu líder, o cidadão Primeiro-ministro?
Portugal caiu num pântano e não há resposta satisfatória para a permanência no poder do homem que insiste em apresentar um panorama triunfalista da política reaccionária responsável pela transformação acelerada do país numa sociedade parasita, super endividada, que consome muito mais do que produz.
Pode muita gente concluir que exagero ao atribuir tanta responsabilidade pelo desastre a um indivíduo. Isso porque Sócrates é, afinal, um instrumento do grande capital que o colocou à frente do Executivo e do imperialismo que o tem apoiado. Mas não creio neste caso empolar o factor subjectivo.
Não conheço precedente na nossa História para a cadeia de escândalos maiúsculos em que surge envolvido o actual Primeiro-ministro.
Ela é tão alarmante que os primeiros, desde o mistério do seu diploma de engenheiro, obtido numa universidade fantasmática (já encerrada), aparecem já como coisa banal quando comparados com os mais recentes.
O último é nestes dias tema de manchetes na Comunicação Social e já dele se fala além fronteiras.
É afinal um escândalo velho, que o Presidente do Supremo Tribunal e o Procurador-geral da República tentaram abafar, mas que retomou actualidade quando um semanário divulgou excertos de escutas do caso Face Oculta.
Alguns despachos do procurador de Aveiro e do juiz de instrução criminal do Tribunal da mesma comarca com transcrições de conversas telefónicas valem por uma demolidora peça acusatória reveladora da vocação liberticida do governo de Sócrates para amordaçar a Comunicação Social.
Desta vez o Primeiro-ministro ficou exposto sem defesa. As vozes de gente sua articulando projectos de controlo de uma emissora de televisão e de afastamento de jornalistas incómodos estão gravadas. Não há desmentidos que possam apagar a conspiração.
Um mar de lama escorre dessas conversas, envolvendo o Primeiro-ministro. A agressiva tentativa de defesa deste afunda-o mais no pântano. Impossibilitado de negar os factos, qualifica de «infame» a divulgação daquilo a que chama «conversas privadas». Basta recordar que todas as gravações dos diálogos telefónicos de Sócrates com o banqueiro Vara, seu ex-ministro foram mandadas destruir por decisão (lamentável) do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, para se ter a certeza de que seriam muitíssimo mais comprometedoras para ele do que as «conversas privadas» que tanto o indignam agora, divulgadas aliás dias depois de, num restaurante, ter defendido, em amena «conversa» com dois ministros seus, a necessidade de silenciar o jornalista Mário Crespo da SIC Noticias.
Não é apenas por serem indesmentíveis os factos que este escândalo difere dos anteriores que colocaram José Sócrates no banco dos réus do Tribunal da opinião pública. Desta vez a hipótese da sua demissão é levantada em editoriais de diários que o apoiaram nos primeiros anos e personalidades políticas de múltiplos quadrantes afirmam sem rodeios que não tem mais condições para exercer o cargo.
O cidadão José Sócrates tem mentido repetidamente ao País, com desfaçatez e arrogância, exibindo não apenas a sua incompetência e mediocridade, mas, o que é mais grave, uma debilidade de carácter incompatível com a chefia do Executivo.
Repito: como pode tal criatura permanecer como Primeiro-ministro?
Até quando, Sócrates, teremos de te suportar?

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

EMBARCAÇÕES DA AMERICA'S CUP

USA-17 (Oracle) Alinghi 5
USA-17 (Vela-asa) USA-17 (Detalhes)
USA-17
Alinghi 5 e USA-17


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O AFEGANISTÃO SEGUNDO EÇA DE QUEIRÓS


Os ingleses estão experimentando, no seu atribulado império da Índia,a verdade desse humorístico lugar comum do sec. XVIII: 'A História é uma velhota que se repete sem cessar'.
O Fado e a Providência, ou a Entidade qualquer que lá de cima dirigiu os episódios da campanha do Afeganistão em 1847, está fazendo simplesmente uma cópia servil, revelando assim uma imaginação exausta.
Em 1847 os ingleses, "por uma Razão de Estado, uma necessidade de fronteiras científicas, a segurança do império, uma barreira ao domínio russo da Ásia..." e outras coisas vagas que os políticos da Índia rosnam sombriamente, retorcendo os bigodes - invadem o Afeganistão, e aí vão aniquilando tribos seculares, desmantelando vilas, assolando searas e vinhas: apossam-se, por fim, da santa cidade de Cabul; sacodem do serralho um velho emir apavorado; colocam lá outro de raça mais submissa, que já trazem preparado nas bagagens, com escravas e tapetes; e, logo que os correspondentes dos jornais têm telegrafado a vitória, o exército, acampado à beira dos arroios e nos vergéis de Cabul, desaperta o correame, e fuma o cachimbo da paz... Assim é exactamente em 1880.
No nosso tempo, precisamente como em 1847, chefes enérgicos, Messias indígenas, vão percorrendo o território, e com os grandes nomes de "Pátria" e de "Religião", pregam a guerra santa: as tribos reúnem-se, as famílias feudais correm com os seus troços de cavalaria, príncipes rivais juntam-se no ódio hereditário contra o estrangeiro, o "homem vermelho", e em pouco tempo é tudo um rebrilhar de fogos de acampamento nos altos das serranias, dominando os desfiladeiros que são o caminho, a estrada da Índia... E quando por ali aparecer, enfim, o grosso do exército inglês, à volta de Cabul, atravancado de artilharia, escoando-se espessamente, por entre as gargantas das serras, no leito seco das torrentes, com as suas longas caravanas de camelos, aquela massa bárbara rola-lhe em cima e aniquila-o.
Foi assim em 1847, é assim em 1880. Então os restos debandados do exército refugiam-se nalguma das cidades da fronteira, que ora é Ghasnat ora Kandahar: os afegãos correm, põem o cerco, cerco lento, cerco de vagares orientais: o general sitiado, que nessas guerras asiáticas pode sempre comunicar, telegrafa para o viso-rei da Índia, reclamando com furor "reforços, chá e açúcar"! (Isto é textual; foi o general Roberts que soltou há dias este grito de gulodice britânica; o inglês, sem chá, bate-se frouxamente). Então o governo da Índia, gastando milhões de libras, como quem gasta água, manda a toda a pressa fardos disformes de chá reparador, brancas colinas de açúcar, e dez ou quinze mil homens. De Inglaterra partem esses negros e monstruosos transportes de guerra, arcas de Noé a vapor, levando acampamentos, rebanhos de cavalos, parques de artilharia, toda uma invasão temerosa... Foi assim em 1847, assim é em 1880.
Esta hoste desembarca no Industão, junta-se a outras colunas de tropa índia, e é dirigida dia e noite sobre a fronteira em expressos a quarenta milhas por hora; daí começa uma marcha assoladora, com cinquenta mil camelos de bagagens, telégrafos, máquinas hidráulicas, e uma cavalgada eloquente de correspondentes de jornais. Uma manhã avista-se Kandahar ou Ghasnat;- e num momento, é aniquilado, disperso no pó da planície o pobre exército afegão com as suas cimitarras de melodrama e as suas veneráveis colubrinas do modelo das que outrora fizeram fogo em Diu. Ghasnat está livre! Kandahar está livre! Hurrah! Faz-se imediatamente disto uma canção patriótica; e a façanha é por toda a Inglaterra popularizada numa estampa, em que se vê o general libertador e o general sitiado apertando-se a mão com veemência, no primeiro plano, entre cavalos empinados e granadeiros belos como Apolos, que expiram em atitude nobre! Foi assim em 1847; há-de ser assim em 1880.
No entanto, em desfiladeiro e monte, milhares de homens que, ou defendiam a pátria ou morriam pela "fronteira científica", lá ficam, pasto de corvos - o que não é, no Afeganistão, uma respeitável imagem de retórica: aí, são os corvos que nas cidades fazem a limpeza das ruas, comendo as imundices, e em campos de batalha purificam o ar, devorando os restos das derrotas.
E de tanto sangue, tanta agonia, tanto luto, que resta por fim? Uma canção patriótica, uma estampa idiota nas salas de jantar, mais tarde uma linha de prosa numa página de crónica...
Consoladora filosofia das guerras!
No entanto, a Inglaterra goza por algum tempo a "grande vitória do Afeganistão" - com a certeza de ter de recomeçar, daqui a dez anos ou quinze anos; porque nem pode conquistar e anexar um vasto reino, que é grande como a França, nem pode consentir, colados à sua ilharga, uns poucos de milhões de homens fanáticos, batalhadores e hostis. A "política" portanto é debilitá-los periodicamente, com uma invasão arruinadora. São as fortes necessidades dum grande império.
Antes possuir apenas um quintalejo, com uma vaca para o leite e dois pés de alface para as merendas de verão...

QUANDO A ECOLOGIA PROFUNDA ENCONTRA O TERCEIRO MUNDO

There is a movement afoot in the United States that environmentalists call deep ecology (Tobias, 1985). In a nutshell, its basic tenet is that all living things have a right to exist—that human beings have no right to bring other creatures to extinction or to play God by deciding which species serve us and should therefore be allowed to live. Deep ecology rejects the anthropocentric view that humankind lies at the center of all that is worthwhile and that other creatures are valuable only as long as they serve us. Deep ecology says, instead, that all living things have an inherent value—animals, plants, bacteria, viruses—and that animals are no more important than plants and that mammals are no more valuable than insects (Blea, 1986). Deep ecology is similar to many Eastern religions in holding that all living things are sacred. As a conservationist, I am attracted to the core philosophy of deep ecology. Like the Buddhists, and Taoists, and supporters of the Earth First! movement, I also believe that all living things are sacred. When human activities drive one of our fellow species to extinction, I consider that a betrayal of our obligation to protect all life on the only planet we have.
Where I run into trouble with the philosophy of deep ecology is in places like rural Central America or on the agricultural frontier in Ecuadorian Amazonia—places where human beings themselves are living on the edge of life. I have never tried to tell a Latin American farmer that he has no right to burn forest for farmland because the trees and wildlife are as inherently valuable as he and his children are. As an anthropologist and as a father, I am not prepared to take on that job. You could call this the dilemma of deep ecology meeting the developing world.
The dilemma is softened somewhat by the realization that the farmer in the developing world probably appreciates the value of forest and wildlife better than we do in our society of microwave ovens and airplanes and plastic money. The Third-World farmer appreciates his dependence on biological diversity because that
dependence is so highly visible to him. He knows that his life is based on the living organisms that surround him. From the biological diversity that forms his natural environment he gathers edible fruit, wild animals for protein, fiber for clothing and ropes, incense for religious ceremonies, natural insecticides, fish poisons, wood for houses, furniture, and canoes, and medicinal plants that may cure a toothache or a snakebite.
There are indigenous peoples in some parts of the world who have an appreciation for biological diversity that puts our own conservation theorists to shame. I stayed once in southeastern Mexico with a Maya farmer who expressed his view this way:
“The outsiders come into our forest,” he said, “and they cut the mahogany and kill the birds and burn everything. Then they bring in cattle, and the cattle eat the jungle. I think they hate the forest. But I plant my crops and weed them, and I watch the animals, and I watch the forest to know when to plant my corn. As for me, I guard the forest.”
Today, that Maya farmer lives in a small remnant of rain forest surrounded by the fields and cattle pastures of 100,000 immigrant colonists. He is subjected to the development plans of a nation hungry for farmland and foreign exchange. The colonists have been forced by population pressure and the need for land reform to colonize a tropical forest they know nothing about. The social and economic realities of a modern global economy are leading them and their national leaders to destroy the very biological resources their lives are based upon.
The colonists are fine people who are quick to invite you to share their meager meal. But if you want to talk with them about protecting the biological diversity that still surrounds them, be prepared to talk about how it will affect them directly. If you look a frontier farmer in the eye and tell him that he must not clear forest or hunt in a wildlife reserve and that the reason he must not do these things is because you are trying to preserve the planet’s biological diversity, he will very politely perform the cultural equivalent of rolling his eyes and saying, “Sure.”
But he will not believe you. Instead, you should be prepared to demonstrate how he can produce more food and earn more money by protecting the biological resources on his land. The developing world colonist may understand his dependence on biological diversity, but his interest in protecting that diversity lies in how it can improve his life and the lives of his children. Colonists on the agricultural frontier do not have the luxury of debating the finer points of deep ecology.
The same thing can be said for the government planner in the nation where the pioneer farmer lives and the development banker in Washington, D.C. The planner and the banker may appreciate the moral and aesthetic values of biological diversity. They may lament the eradication of wilderness and wildlife. But if you want them to protect a critical area of forest or place their hydroelectric dam outside a protected area, be prepared to talk about the economic value of watersheds, income from tourism, and cost-benefit analysis.
In the developing world, as well as in our overdeveloped world, we are obligated to present economic, utilitarian arguments to preserve the biological diversity that ultimately benefits us all. Deep ecology makes interesting conversation over the seminar table, but it won’t fly on the agricultural frontier of the Third World or in the board rooms of the Inter-American Development Bank.
The day may come when ethical considerations about biological diversity become our most important reason for species conservation. But in the meantime, if we want to hold on to our planet’s biological diversity, we have to speak the vernacular. And the vernacular is utility, economics, and the well-being of individual human beings.
In the 1980s, the question seems to be, “What has biological diversity done for me lately?” The good news is that the answer to that question is, “Plenty, and more than you realize.” Our lives are full of examples of the logic of preserving the plants and animals that we depend upon as a species.
Our food is a good example. Human beings eat a wealth of plants and animals in the home-cooked meals and restaurant dinners that we live on day-to-day. Yet one of the most immediate threats posed by the loss of biodiversity is the shrinkage of plant gene pools available to farmers and agricultural scientists. During the past several decades, we have increased our ability to produce large quantities of food, but we have simultaneously increased our dependence on just a few crops and our dependence on fewer types of those crops. As much as 80% of the world food supply may be based on fewer than two dozen species of plants and animals (CEQ, 1981). We are eroding the genetic diversity of the crops we increasingly depend upon, and we are eradicating the wild ancestors of those crops as we destroy wilderness habitats around the world.
We are dependent on biological diversity in ways less visible than the plants and animals we eat and wear. We also depend on them for raw materials and medicines. We depend on the diversity of plants and animals for industrial fibers, gums, spices, dyes, resins, oils, lumber, cellulose, and wood biomass. We chemically screen wild plants in search of new drugs that may be beneficial to humankind. We import millions of dollars worth of medicinal plants into the United States and use them to produce billions of dollars worth of medicines (OTA, 1984).
We use animals in medical research as well, though sometimes with brutal results. We import tens of thousands of primates for drug safety tests and drug production (OTA, 1984). We use Texas armadillos in research on leprosy. When human activities threaten the survival of these animals and their wild habitats, they threaten human welfare as well.
At the same time, we have to acknowledge that we will never be able to demonstrate an immediate, utilitarian reason for preserving every species on Earth. Some of them may have no use for humankind beyond being part of the great mystery. But who will tell us which species are unimportant? Who can tell us which level of extinction will seriously disrupt the web of life that we depend upon as human beings?
Environmental writer Erik Eckholm says that one of the key tasks facing both scientists and governments is to identify and protect the species whose ecological functions are especially important to human societies. And “in the meantime,” Eckholm continues, “prudence dictates giving existing organisms as much benefit of the doubt as possible” (Eckholm, 1978).
One of the important factors in providing those species with the benefit of the doubt they deserve is educating ourselves and our governments’ policy makers about our dependence, as human beings, on biological diversity. That education tends to emphasize the utilitarian value of species protection. One of the results is that there is a growing, pragmatic ethic among scientists and conservationists. It is an ethic that centers on the realization that our ability to preserve biological diversity depends on our ability to demonstrate the benefits that diversity brings to human beings (Fisher and Myers, 1986).
On one level, these benefits take the form of immediate economic income through activities like wildlife harvesting, tourism, and maintaining agricultural production. On another level, they focus on unfulfilled potential—new crops, new medicines, new industrial products. Taken together, the benefits of biological diversity provide short-term income to individual people and improve the long-term well-being of our species as a whole.
These two levels of benefits work together in the sense that if we hope to see the long-term benefits of biological diversity, we have to focus first—or least simultaneously—on the immediate, short-term benefits to individual people. Few of the wild gene pools—the raw materials for future medicines, food, and fuels—are likely to survive intact in places where people have to struggle simply to provide their basic, daily needs (Wolf, 1985).
One of our long-term goals as a species is to enjoy the uncounted benefits that our planet’s biological diversity can eventually bring us. But in the short term, at a minimum for the next few decades, our basic strategy must concentrate on ensuring that people here and on the frontiers of the developing world receive material incentives that will allow them to prosper by protecting biological diversity rather than by destroying it (Cartwright, 1985). That done, we can return to the ethical and aesthetic arguments of deep ecology with the knowledge that when we look up from our discussion, there will still be biological diversity left to experience and enjoy.
The authors of the three chapters that follow are counted among the most successful and most dedicated of the scientists now working to point out the short-term and long-term benefits of biological diversity—three scientists who are working as quickly as possible to discover the unread books of our planet’s genetic diversity and to translate those discoveries into practical advantages for their fellow human beings.