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quarta-feira, 4 de maio de 2011

O ÁLIBI DE SÓCRATES

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Ao ver as reportagens do Congresso do PS, a pergunta que mais frequentemente me ocorreu foi como é que os Portugueses, na angustiante situação que vivemos, olhariam para aquele espectáculo.

Um espectáculo que exibia uma incómoda exuberância de meios ao mesmo tempo que revelava uma montagem atenta ao mais ínfimo pormenor (com música, abraços e lágrimas). Mas de onde, na verdade, não brotava uma só ideia, uma só preocupação com o País, uma só proposta para o futuro...
Onde, pelo contrário, era bem visível a obsessão com o poder e a preocupação em bajular o líder no seu bunker, seguindo um guião e repetindo "ad nauseam" um só argumento, com uma disciplina de fazer inveja ao PCP!...
Ter-se-á atingido aqui o lúgubre apogeu do "socialismo moderno", esse híbrido socrático que ficará na história por ter esvaziado o Partido Socialista de quase todos os seus valores patrimoniais e diferenciadores, reduzidos agora a um mero videoclip.
Como na história ficará também a indigência intelectual e o perfil ético de tantos "senadores" do PS que subiram ao palco para - com completo conhecimento de causa sobre o gravíssimo estado do País - acenar cinicamente aos militantes e aos Portugueses, por puro e interessado calculismo político.
O Congresso assumiu a estratégia de Sócrates que é, há muito, clara: ignorar os factos e sacudir as responsabilidades. Inventando uma boa história, que seja simples, que hipnotize as pessoas e, sobretudo que as dispense de olhar para os últimos seis anos de governação, para os números do desemprego, do défice, da dívida ou da recessão. Ou de pensar nas incontornáveis consequências de tudo isto no nosso futuro. Eis o marketing político no seu estado mais puro, e mais perverso.
Esta história começou a ser preparada logo em Janeiro, quando era por demais evidente o que se iria passar com o nosso endividamento e com as nossas finanças públicas. Sócrates lançou então o slogan "Defender Portugal", insinuando subliminarmente que os adversários do PS só podiam ser adversários de Portugal.
Montado o cenário, faltava apontar os vilões. Primeiro, o inimigo externo, e para isso diabolizou-se o FMI, qual dragão que paira ameaçadoramente sobre as nossas cabeças, e contra o qual o herói luta com denodo. Um pouco mais tarde, com o chumbo do PEC IV, estava encontrado o inimigo interno. Um inimigo que "tira o tapete" ao nosso herói, exactamente quando este "ia salvar Portugal". Ferido, o herói não sai de cena. Ei-lo que se reergue, determinado, para mais uma batalha. Desce o pano, e agenda-se o segundo acto para dia 5 de Junho.
Há que reconhecer: tudo isto foi muito bem planeado, teatralizado e concretizado, de modo a que esta fábula funcione não só como um álibi para Sócrates mas, também, como uma "cassete" de campanha.
Montada a história, trata-se agora de repeti-la. É como se todos os dirigentes socialistas passassem a falar pelo teleponto do próprio Sócrates, como se todos tivessem esse teleponto dentro da própria cabeça - e isso, como vimos, funciona, pelo menos em mundos como o da "bolha" do Congresso de Matosinhos.
A força da história avalia-se pelo modo como deforma os factos e maquilha a realidade. Em Matosinhos, ela foi muito eficaz para esconder aquilo que na verdade mais perturba os socialistas: esta é a terceira vez que o FMI é chamado a intervir em Portugal, e, sendo verdade que veio sempre a pedido de governos liderados pelo PS, esta é a primeira vez em que vem devido a erros de governação do próprio PS.
Isto nunca tinha, de facto, acontecido: em 1977/78 o FMI veio por causa dos "excessos" revolucionários, e em 1983/84 para corrigir os deslizes do governo de direita, da Aliança Democrática. Em ambas as situações o PS apareceu, com a coragem de Mário Soares, a corrigir os erros de governações anteriores e a defender o interesse nacional. Desta vez é diferente: o FMI é chamado a Portugal justamente devido à acção de um governo do PS, dirigido pelo seu secretário-geral.
Para grandes males, grandes desculpas? É o que parece. Esta história inventada pelos conselheiros de Sócrates vai fazendo o seu caminho. Espalha-se com mais desenvoltura que um programa eleitoral, e consegue fazer com que muita gente, sem dar por isso, acredite no inacreditável: num dia o nosso primeiro-ministro estava "quase a conseguir salvar-nos", e no dia seguinte o chumbo do PEC IV abriu um buraco de 80 mil milhões de euros...
Não consigo conformar-me com este modo de "fazer política". Sofro, como milhares de socialistas, e certamente muitos mais portugueses, com este tipo de comportamento que joga no "vale tudo" para permanecer no poder. Ao arrepio de todos os valores, ignorando as mais elementares regras da ética, transformando a política num mero exercício de propaganda que se avalia por um único resultado: continuar no poder.
O Partido Socialista ficou reduzido ao álibi de Sócrates. Um secretário-geral que deu sem dúvida provas como candidato eficaz, mas que também já as deu como governante medíocre, conduzindo o País à bancarrota e à mais grave crise que o País já conheceu desde o 25 de Abril de 1974.
Foi com estes dados que o PS saiu do Congresso, à espera de um milagre eleitoral no próximo dia 5 de Junho. Mário Soares falava prudentemente, aqui no DN de anteontem, no risco de um duche gelado que entretanto o PS corre. Mas mesmo que tal não aconteça, não haja ilusões: ganhe ou perca, no dia seguinte às eleições este PS do álibi vai estar como estava na véspera - com uma mão-cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Talvez, finalmente, a olhar para o abismo onde nos conduziu. E quanto a Portugal, o que será de nós?
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Manuel Maria Carrilho
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segunda-feira, 2 de maio de 2011

O GRANDE MAESTRO

O grande maestro, José Sócrates Pinto de Sousa


Por Santana Castilho*


As obras públicas entranharam em Sócrates, compulsivo, a ideia que criam emprego. Viu-se com os estádios do Euro 2004
Frederico II, o Grande, rei da Prússia, disse que "a trapaça, a má-fé e a duplicidade são, infelizmente, o carácter predominante da maioria dos homens que governam as nações". José Sócrates Pinto de Sousa, o grande maestro, ilustra-o. Na farsa de Matosinhos, a que o PS chamou congresso, usou bem a batuta da mistificação e deu o tom para o que vai ser a sua campanha: ilibou-se de responsabilidades pela crise e condenou o PSD; tendo preparado, astutamente, a queda do Governo, ei-lo, agora, cinicamente, a passar para o PSD o ónus da vulnerabilidade que nos verga. Como a memória é curta e o conhecimento não abunda, os hesitantes impressionam-se com o espalhafato e o discurso autoritário, ainda que recheado de mentiras. Porque, em tempo de medo e de apreensão, a populaça não gosta de moleza.
O aviso fica feito: não menosprezem as sondagens. Urge clarificar e não ser ambíguo. Eu não vou ser.


1. Na segunda metade de 2009, as escutas do caso Face Oculta trouxeram à superfície a teia subterrânea que preparava a aquisição da Media Capital pela PT. Objectivo? Condicionar a orientação noticiosa da TVI, afastar José Eduardo Moniz e calar Manuela Moura Guedes. Que mão segurou a batuta deste tenebroso conúbio entre a política e o dinheiro?
Este é um, apenas um, episódio de uma longa série de acções para calar a opinião livre e subjugar o espaço público, que o grande maestro protagonizou. José Manuel Fernandes, Henrique Monteiro e Mário Crespo, entre outros, denunciaram-nas, sem peias. Se não vos assusta o poder hegemónico e incontestável, voltem a votar nele. Se vos chega uma democracia amordaçada, escolham-no uma vez mais.


2. Para encontrar alguma analogia com a cadeia de escândalos que envolveram José Sócrates, temos que ir à Itália de Berlusconi. Na nossa História, não há precedente que lhe dispute tamanho mar de lama. Da licenciatura na Independente às escutas oportunamente silenciadas pelo Supremo Tribunal de Justiça, passando pela saga escabrosa dos projectos de engenharia da Guarda, os mistérios dos apartamentos da Braamcamp e os inenarráveis processos Cova da Beira e Freeport, saiu sempre judicialmente ileso, o grande maestro. Como Il Cavaliere. Se isso vos chega e querem manter um primeiro-ministro que se julga ungido de clarividência única, medíocre e incompetente, que vos mente sem rebuços, teimosamente cego, presumido omnisciente e contumaz calcador de todos os escrutínios morais, só têm que esperar até 5 de Junho. Votem nele.


3. As obras públicas entranharam em Sócrates, compulsivo, a ideia que criam emprego. Viu-se com os vários estádios do Euro 2004, que nos custaram milhões e que qualquer dia serão destruídos sem glória nem uso. Estamos por ora salvos da loucura do TGV e das imprudências, dadas as circunstâncias, do aeroporto e da terceira ponte sobre o Tejo. Mas se quiserem a megalomania de volta, mais Magalhães a pataco, quadros interactivos inúteis e escolas novas destruídas para que o grande maestro inaugure outras mais modernas, é só votar nele, já em Junho.


4. Sócrates foi, durante os seis anos da sua governação, o grande maestro da táctica para esconder os números do endividamento externo e a realidade do défice e das contas públicas. Depois de utilizar irresponsavelmente o Orçamento do Estado de 2009 para colher benefícios eleitorais, negou sempre que a crise financeira nos tocava. Desorçamentou e manipulou contabilisticamente as contas do Estado, até ao limiar da bancarrota e ao pedido de assistência financeira, que humilha Portugal. Se querem ajudar a destruir o resto, portugueses, votem nele, uma vez mais.


5. Enxerguem-se, portugueses: se somarmos à actual dívida pública a dívida das empresas públicas, chegamos a 125 por cento do PIB (o nosso PIB anda pelos 172 mil milhões de euros); a este número, medonho, somem mais 60 mil milhões, a pagar pelos nossos filhos e netos, que o grande maestro foi comprometendo em parcerias público-privadas, com as empresas do regime; quando, em 2005, arrebatou a batuta, o grande maestro encontrou 6,6 por cento de taxa de desemprego; agora, em 2011, o grande maestro abandonou à sua sorte uma triste banda de quase 700 mil desempregados, 11,1 por cento de taxa de desemprego, a pior desde que há registos em Portugal; estamos no Top Ten dos países mais caloteiros do mundo (100 por cento do PIB de dívidas das famílias portuguesas, mais 150 por cento do PIB de dívidas das empresas lusas, tudo por volta de 430 mil milhões de euros); temos a maior vaga de emigração de licenciados de todos os tempos, a segunda pior taxa de fuga de cérebros no universo da OCDE e a terceira no que toca ao abandono escolar. Se este painel factual não vos belisca, votem nele. Ofereçam-lhe uma batuta vitalícia e entronizem-no, até que o céu vos caia em cima.


6. Esclareçamos que a assistência financeira apenas nos tira a corda do pescoço nos próximos dois a três anos, na medida em que nos assegura honrarmos os compromissos da dívida pública. Mas não resolve o problema do crescimento económico, que supõe outra política. Se acreditam que o vosso coveiro pode ser o vosso salvador, votem no grande maestro e enterrem-se sozinhos, que ele já está, obviamente, protegido e salvo, pronto para a sua antecipada reforma dourada, que nenhuma troika cortará.

*Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)
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segunda-feira, 18 de abril de 2011

REESTRUTURAR A DÍVIDA

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 No dia em que o Governo demissionário decidiu dirigir à Comissão Europeia um pedido de assistência financeira para atender ao “financiamento da República”, considera o Instituto da Democracia portuguesa (IDP) que chegou o momento para se encarar o médio prazo, para além do ruído de fundo com o curto prazo.

O resgate é um dado adquirido não apenas porque a nossa situação financeira é grave como porque estamos em risco de sermos um elemento pernicioso para a estabilidade da zona euro. Embora as atenções dos portugueses estejam focadas, essa operação de resgate terá um prazo e um objectivo: evitar um desequilíbrio grave na zona euro. O facto de, neste processo ser Portugal o país a ser ajudado é instrumental. No fim de contas, prevalecerão os interesses globais da zona euro como um todo.

Portugal experimenta há mais de trinta anos, uma perda de competitividade traduzida na lenta diminuição das suas taxas de crescimento. Apesar de todas as vultuosas transferências recebidas – fundos comunitários, remessas de emigrantes e investimento estrangeiro – a taxa de crescimento da economia portuguesa tem vindo a decair, sempre. Sucessivos governos e sucessivas políticas públicas centradas no “big is beautiful” esqueceram o apoio à produção de bens transaccionáveis com alta incorporação de mais valias e potencialidades de exportação.

A crise actual e o nosso elevado endividamento externo são o corolário de políticas da III República que nunca manifestaram interesse em atacar os problemas de frente; antes preferiram iludi-los, por motivos de ganância pessoal e interesses mal informados.

Ao cabo de mais de uma década de endividamento explosivo, temos de constatar que esgotámos um modelo de desenvolvimento económico; hoje é por demais manifesto que este modelo não tem qualquer virtualidade e a manutenção deste caminho apenas nos conduz a um desastre nacional.

Neste quadro, a operação de resgate de que o pedido de que o pedido de assistência financeira é só o primeiro passo, permite colmatar um desequilíbrio e, sobretudo, evitar um desequilíbrio mais acentuado na zona euro. No entanto, falta criar condições de crescimento económico. Como o IDP já afirmou antes, o resgate é, sobretudo, uma operação de apoio ao euro, não directamente ao membro.

Para saber o que se vai passar a seguir, temos de olhar para longe. Nos últimos 30 anos, Portugal é um dos países da Europa que mais rapidamente baixou a sua taxa de natalidade. Em 2009 era o 2º país de EU com a mais baixa taxa de fertilidade: 1.3. Em 2009 e 2010, o número de mortes superou os nascimentos. Há mais de uma década que se chama a atenção para o “Inverno” demográfico, aparentemente com escasso eco na sociedade civil e sem eco nos meios políticos. Ao contrário de outros países europeus, não existe uma política de apoio e promoção da natalidade.

Em 2010 o ratio de pessoas activas/passivas foi de 1/1.5. A continuarem as tendências, em 2020 esse ratio será de 1/2 e, em 2030, terá passado para 1/2.5. Com um modelo económico esgotado, com taxas de crescimento progressivamente mais baixas, aumento do desemprego, envelhecimento da população e baixa fertilidade, aumentam os compromissos fixos e diminuem as receitas.

Assim , vem o IDP denunciar que, mais do que a “armadilha da dívida”, onde as políticas de contenção e austeridade terão um efeito recessivo na economia, estamos confrontados com a diminuição do principal recurso nacional- a população – e não o queremos admitir.

A nossa dívida externa bruta é hoje de +/- 230% do PIB e a líquida de quase 98%. As medidas de austeridade no quadro de um resgate permitem considerar que a nossa taxa de crescimento, nos próximos 10 anos, não deverá ser superior a 1.5% ao ano; ao mesmo tempo o serviço da dívida contraída está já próximo dos 5% do PIB.

Neste cenário, as nossas capacidades de endividamento no médio e longo prazo, a 10/ 30 anos, estão seriamente limitadas quer pelo baixo potencial de crescimento da economia, quer pela limitada capacidade do seu principal activo, nós, os cidadãos. Nesse sentido, considera o IDP que a nossa capacidade para poder honrar, nos termos e nas condições que nos propusemos pagar, estará, fortemente limitada.

Temos uma elevada probabilidade, a médio prazo, dentro de 4/5 anos, de estarmos a suportar uma política que não elimina a nossa dívida, e agrava as condições de podermos optimizar os nossos activos, para honrar a dívida e assegurar a sustentabilidade da economia e do país.

No actual quadro do debate de ideias e por força da crise imediata em que nos encontramos, todas as atenções estão centradas nas formas de “quebrar” o círculo vicioso que nos conduziu a esta situação; no entanto, essa premência obscurece um elemento fundamental: como vamos pagar a “montanha de dívida “que acumulámos ao longo destes anos e como o vamos pagar sem nos arruinarmos.

Considera o IDP que é necessário encarar com realismo a reestruturação da dívida nacional. Existem soluções estudadas para os problemas enumerados; sendo necessário tempo para as implementar, temos de partir para a reestruturação da dívida.

Uma nação não é uma empresa; não pode ser desmembrada e os seus activos disponibilizados livremente; os credores da nação preferem receber uma percentagem de algo a receber a totalidade de nada e nunca “asfixiarão” o devedor ao ponto de este ficar impedido de cumprir as suas obrigações.

A reestruturação de dívida soberana é um dos elementos que caracteriza a dívida; Portugal, enquanto nação autónoma, reestruturou seis vezes a dívida e, nos séc XX fizeram-no 21 países, entre os quais o Brasil.

A reestruturação da dívida – nos próximos meses – é uma operação de responsabilidade do próximo Governo e implica a apresentação de um plano de como e quando iremos pagar as nossas obrigações. Porque é uma operação da responsabilidade de todos os portugueses, o IDP alerta que deve ser partilhada por todos. Democracia, crescimento e equidade só serão possíveis simultaneamente com um regime cujas soluções estejam à altura da nossa história e da nossa cultura.

Lisboa, 6 de Abril de 2011

A Direcção do IDP (Instituto da Democracia Portuguesa)
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SOCIALISMO DEMOCRÁTICO: A MALDIÇÃO DE SATURNO

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Isto está a acontecer-nos a nós e não é nada como nos tinham contado. Ninguém nos diz que estamos a fazer História, não há turistas que venham de longe para ver esta nossa revolução e contudo amargamo-la: Portugal vive hoje os dias do fim do chamado socialismo democrático. Ou seja, dessa espécie de compromisso entre as liberdades dos cidadãos e um Estado que se vê como um grande cobrador de impostos e distribuidor da riqueza.

E esta não é uma pequena revolução. Infelizmente é uma revolução sem grandeza - chegamos a ela não pelo desejo de mudança mas sim porque não há dinheiro para sustentar o Estado -, sem símbolos, a não ser que por símbolos se entendam aquelas malditas linhas do juro a subir e as do rating a descer e sem narrativa, pois o que nos contaram sobre revoluções passa por muros a serem derrubados, multidões na rua festejando a liberdade e presos políticos a saírem das cadeias.

Na verdade nós não queríamos mudança alguma. Se pudéssemos, continuaríamos sempre com as nossas progressões automáticas, com os subsídios e abonos crescentes e com as autarquias transformadas nos maiores empregadores da região. Tudo e todos presos a essa cadeia de repartição de serviços e bens a que doutro modo, segundo o socialismo vigente, os portugueses não teriam acesso.

Afinal há décadas que os líderes da direita, do centro e da esquerda reduzem as divergências entre si às matérias da divisão ou, melhor dizendo, ao que cada um deles se propõe fazer com o dinheiro dos nossos impostos para o efeito despersonificado em dinheiro do Estado. A produção de riqueza é constitucionalmente vista com desconfiança e tem sido menosprezada quando não achincalhada pelas elites culturais e políticas. Grandes empresários como Alfredo da Silva ou Champallimaud são menos valorizados e conhecidos que os autores de qualquer quadro, poema ou filme de vigésima categoria.

Mas é sobretudo perante os pobres que aspiram a deixar de o ser pelos seus meios, e que portanto não esperaram que o Estado distribuidor faça deles menos pobres, que mais se assanha o discurso dessa nomenclatura de sociólogos, jornalistas e deputados com ordenado assegurado e que nunca criaram um emprego na vida, garantindo que aqueles empresários não têm rasgo, que só sabem fazer contas de merceeiro e que as suas empresas não passam duma estrutura de vão de escada. Aquilo que devia ser motivo de elogio - o ser capaz de criar quanto mais não seja o seu posto de trabalho num vão de escada e o ser prudente nos gastos - tornaram-se pretextos para a crítica e o escárnio daqueles que, como boa parte destas elites, são frequentemente sustentados pelo Estado e que corporativamente amplificam em eco a ideia do Estado enquanto grande cobrador/divisor.

Esta ilusão de que a justiça social e o combate às desigualdades se fariam através de um Estado cada vez mais tentacular e controlador teve o seu epílogo não no dia em que foi oficialmente formalizado o pedido de ajuda externa - há um ano que dependíamos dessa ajuda - mas sim quando se pôs a hipótese de alguns organismos do Ministério da Administração Interna não estarem a entregar ao Estado a retenção de IRS dos seus funcionários públicos e de o Fundo de Capitalização da Segurança Social poder vir a comprar ainda mais títulos da dívida portuguesa.

Em resumo, sobre o socialismo abate-se a maldição de Cronos/Saturno: quis criar uma Idade de Ouro e acabou a alimentar-se dos seus filhos com medo de ser destronado.

Por outras palavras, para ser socialismo, o socialismo ou tem dinheiro para distribuir ou é cada vez menos democrático, pois só com a desvalorização da democracia se conseguirá manter a sociedade em permanente estado de exaltação maniqueísta, distraindo-a do essencial. Paulatinamente, essa desvalorização da democracia está a ser feita oficialmente em nome do país, mas na prática para salvar os responsáveis por essa fraude que se chamou "vida para lá do défice": as eleições que são em democracia a forma natural de resolver as crises passaram a ser vistas como um incidente que pode aumentar os juros. As divergências políticas passaram a ser apresentadas como sinónimos de crispação e mais crispação que pode baixar o rating. O apurar das responsabilidades dá um sinal de desunião que assusta os nossos credores... Enfim, o funcionamento da democracia começa a ser apresentado como um factor de perturbação.

Se tivermos isto em conta, percebe-se que o congresso do PS em Matosinhos só podia ter corrido como correu: ali não houve nem podia haver sombra de política. O que aconteceu naquele pavilhão foi um encontro de motivação para um grupo de funcionários, muito deles ocupando cargos de nomeação, e fornecedores de serviços ao Estado. Estes, reunidos em torno do seu chefe, acertaram a estratégia para continuarem a assegurar que controlam a máquina estatal.

Ou, mitologicamente falando, que eles, que têm tido como fonte de rendimentos cargos em que nos prometem uma Idade de Ouro, cheia de carros eléctricos, TGV, cheques-bebé e computadores à borla, estão dispostos a quase tudo para não serem destronados.
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Helena Matos in "Público"
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segunda-feira, 11 de abril de 2011

A CRISE SEGUNDO MEDINA CARREIRA

Bom, dado o que está em causa é tão só o futuro dos nossos filhos e a própria sobrevivência da democracia em Portugal, não me parece exagerado perder algum tempo a desmontar a máquina de propaganda dos bandidos que se apoderaram do nosso país. Já sei que alguns de vós estão fartos de ouvir falar disto e não querem saber, que sou deprimente, etc., mas é importante perceberem que o que nos vai acontecer é, sobretudo, nossa responsabilidade porque não quisemos saber durante demasiado tempo e agora estamos com um pé dentro do abismo e já não há possibilidade de escapar.
Estou convencido que aquilo a que assistimos nos últimos dias é uma verdadeira operação militar e um crime contra a pátria (mais um). Como sabem há muito que ando nos mercados (quantos dos analistas que dizem disparates nas TVs alguma vez estiveram nos ditos mercados?) e acompanho com especial preocupação (o meu Pai diria obsessão) a situação portuguesa há vários anos. Algumas verdades inconvenientes não batem certo com a "narrativa" socialista há muito preparada e agora posta em marcha pela comunicação social como uma verdadeira operação de PsyOps, montada pelo círculo íntimo do bandido e executada pelos jornalistas e comentadores "amigos" e dependentes das prebendas do poder (quase todos infelizmente, dado o estado do "jornalismo" que temos).


Ora acredito que o plano de operações desta gente não deve andar muito longe disto:

1. Narrativa: Se Portugal aprovasse o PECIV não haveria nenhum resgate. Verdade: Portugal já está ligado à máquina há mais de 1 ano (O BCE todos os dias salva a banca nacional de ter que fechar as portas dando-lhe liquidez e compra obrigações Portuguesas que mais ninguém quer - senão já teríamos taxas de juro nos 20% ou mais). Ora esta situação não se podia continuar a arrastar, como é óbvio. Portugal tem que fazer o rollover de muitos milhares de milhões em dívida já daqui a umas semanas só para poder pagar salários! Sócrates sabe perfeitamente que isso é impossível e que estávamos no fim da corda. O resto é calculismo político e teatro. Como sempre fez.

2. Narrativa: Sócrates estava a defender Portugal e com ele não entrava cá o FMI. Verdade: Portugal é que tem de se defender deste criminoso louco que levou o país para a ruína (há muito antecipada como todos sabem). A diabolização do FMI é mais uma táctica dos spin doctors de Sócrates. O FMI fará sempre parte de qualquer resgate, seja o do mecanismo do EFSF (que é o que está em vigor e foi usado pela Irlanda e pela Grécia), seja o do ESM (que está ainda em discussão entre os 27 e não se sabe quando, nem se, nem como irá ser aprovado).

3. Narrativa: Estava tudo a correr tão bem e Portugal estava fora de perigo mas vieram estes "irresponsáveis" estragar tudo. Verdade: Perguntem aos contabilistas do BCE e da Comissão que cá estiveram a ver as contas quanto é que é o real buraco nas contas do Estado e vão cair para o lado (a seu tempo isto tudo se saberá). Alguém sinceramente fica surpreendido por descobrir que as finanças públicas estão todas marteladas e que os papéis que os socráticos enviam para Bruxelas para mostrar que são bons alunos não têm credibilidade nenhuma? E acham que lá em Bruxelas são todos parvos e não começam a desconfiar de tanto óasis em Portugal? Recordo que uma das razões pela qual a Grécia não contou com muita solidariedade alemã foi por ter martelado as contas sistematicamente, minando toda a confiança. Acham que a Goldman Sachs só fez swaps contabilísticos com Atenas? E todos sabemos que o engº relativo é um tipo rigoroso, estudioso e duma ética e honestidade à prova de bala, certo?

4. Narrativa: Os mercados castigaram Portugal devido à crise política desencadeada pela oposição. Agora, com muita pena do incansável patriota Sócrates, vem aí o resgate que seria desnecessário. Verdade: É óbvio que os mercados não gostaram de ver o PEC chumbado (e que não tinha que ser votado, muito menos agora, mas isso leva-nos a outro ponto), mas o que eles querem saber é se a oposição vai ou não cumprir as metas acordadas à socapa por Sócrates em Bruxelas (deliberadamente feito como se fosse uma operação secreta porque esse aspecto era peça essencial da sua encenação). E já todos cá dentro e lá fora sabem que o PSD e CDS vão viabilizar as medidas de austeridade e muito mais. É impressionante como a máquina do governo conseguiu passar a mensagem lá para fora que a oposição não aceitava mais austeridade. Essa desinformação deliberada é que prejudica o país lá fora porque cria inquietação artificial sobre as metas da austeridade. Mesmo assim os mercados não tiveram nenhuma reacção intempestiva porque o que os preocupa é apenas as metas. Mais nada. O resto é folclore para consumo interno. E, tal como a queda do governo e o resgate iminente não foram surpresa para mim, também não o foram para os mercados, que já contavam com isto há muito (basta ver um gráfico dos CDS sobre Portugal nos últimos 2 anos, e especialmente nos últimos meses). Porque é que os media não dizem que a bolsa lisboeta subiu mais de 1% no dia a seguir à queda? Simples, porque não convém para a narrativa que querem vender ao nosso povo facilmente manipulável (julgam eles depois de 6 anos a fazê-lo impunemente).
Bom, há sempre mais pontos da narrativa para desmascarar mas não sei se isto é útil para alguém ou se é já óbvio para todos. E como é 6ª feira e estou a ficar irritado só a escrever sobre este assunto termino por aqui. Se quiserem que eu vá escrevendo mais digam, porque isto dá muito trabalho.


Henrique Medina Carreira.
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sexta-feira, 11 de março de 2011

A MANIFESTAÇÃO DO DIA 12 DE MARÇO


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Corre a notícia, no éter informático, que dos 736 deputados do Parlamento Europeu, 17 são acusados de violência conjugal; 11 emitiram cheques sem provisão; 35 participaram, directa ou indirectamente, em falências fraudulentas; 16 foram a tribunal por delitos diversos, no âmbito do código civil e 32 foram presos por conduzirem embriagados ou por outros delitos de trânsito. Total 111, ou seja, grosso modo, um em cada sete.


Será que daqui se pode concluir que o sistema eleitoral democrático, existente na Europa é permeável à eleição da “banditagem”para o Poder?


Dir-se-á, “mas ao menos existe liberdade de expressão e pode-se denunciar o que está mal”. É verdade – embora não seja a verdade toda – mas pergunta-se, a liberdade de expressão como é usada, tem servido para alguma coisa? Quantas malfeitorias e erros denunciados são castigados ou corrigidos? A liberdade de expressão como o direito à manifestação pacífica não tem quase sempre servido como escape e para dar azo a uma pretensa liberdade individual e acalmar consciências, do que para melhorar efectivamente as coisas?


Clama-se contra os ditadores que existem por esse mundo fora – embora ditador mau é apenas aquele que cai do poder, ou se atreveu a ferir interesses de uma potência – os cleptocratas de África, etc. Mas qual é a diferença, por ex., para Portugal onde o ordenado de 20% da população não chega a 500 euros e os gestores públicos, por onde passam a quase totalidade de quem exerceu ou vai exercer cargos políticos, nem sabe quanto ganha…


Qual é a diferença? É por se ter ido a votos? E o que é mais importante, o modo ou a substância?


Se os cleptocratas, africanos, asiáticos, sul-americanos, etc., fossem eleitos por votos considerados livres (!?) e continuassem a roubar o seu povo, a delapidar as riquezas naturais, a atentar contra os direitos humanos, etc., já estariam desculpados e passavam a respeitáveis?


Isto, claro, para já não falar nos regimes comunistas que despontaram à força, por todo o mundo – agora restam poucos, mas não desapareceram – em que tiveram o desplante de decretar que o povo estava no poder e era tudo comum e igual. Foi igual a miséria para todos, de facto, menos para os que estavam no poder. E o Despotismo Iluminado comparado com eles era um conto de fadas…


Vem tudo isto a propósito das projectadas manifestações do dia 12 de Março.


Pensei apoiá-las e participar.


Passei, entretanto, a pensar se o deveria fazer.


Não conheço os organizadores da coisa o que, à partida, poderia consignar uma réstia de esperança em cidadãos descomprometidos.


Depois parecia-me um protesto correcto, contra o modo de actuação da classe política e a existência de um cada vez maior número de injustiças e barbaridades, de que devíamos ter vergonha e nos vão condenar a uma existência miserável.


Seria uma manifestação cívica contra o descalabro cívico e moral. A defesa de um futuro melhor para os nossos filhos e netos. Uma afirmação pela Decência!


Decência nas relações sociais e em prol de que a Politica seja o serviço da “Polis” e não o exercício do saque autorizado, a outorga sistemática da soberania e a desconstrução da Nação dos portugueses.


Não se iria resolver concretamente nada, nem se pode despedir todos os políticos em simultâneo. Mas poder-se-ia ter algum êxito no arrepiar do caminho em muita coisa. Pelo menos que pensassem duas vezes antes de legislarem ou abrissem a boca.


E é pela decência que temos que lutar, pois já vimos que corruptos e malandros medram sob a capa de todos os regimes e sistemas políticos. Até de Religiões!


Aconteceu, porém, o inevitável: o PCP e o BE vão tentar cavalgar a onda, independentemente de ter partido deles ou não, a iniciativa. Talvez o SIS saiba, mas duvido.


Ora isto, a acontecer, estraga tudo, por três razões: primeiro porque a participação de partidos numa manifestação deste tipo afasta o comum dos cidadãos – pretende-se uma manifestação “inteira”, não “partida”; depois porque os partidos são parte do problema, não são parte da solução, e é por causa do modo como funcionam que chegámos ao que chegámos. Finalmente porque o exercício e a prática dos citados partidos tanto em Portugal como nos seus congéneres estrangeiros são responsáveis por resultados dos mais estarrecedores na história dos povos


Por isso – e a talhe de foice – se estranha que o Prof. Marcelo no seu pretérito monologo televisivo, tenha felicitado tão efusivamente o PCP pelo seu 90º aniversário.


De facto, a direcção do partido o que quis impor em Portugal, desde 1921, foi uma ditadura estalinista. Foi combatido de um modo muito mais humano e benévolo em relação aos métodos que preconizava e defendia… Obedeceu sempre, até à queda do muro de Berlim, em 1989, a uma entidade estranha ao povo português: o Partido Comunista da União Soviética.


Tentou apoderar-se do Poder em Portugal, pela força e pela intimidação, já depois do golpe de estado ocorrido em 25 de Abril de 1974, que eles muito ajudaram a que se transformasse numa revolução anárquica. Foram um dos principais responsáveis (embora longe de serem os únicos), pelo drama da Descolonização e por se ter entregue, atrabiliariamente, o poder nos ex-territórios portugueses a forças marxistas e apenas a estas. E ao descalabro que daí adveio.


O 25 de Novembro de 1975 parou-lhes o golpismo à força, mas não os liquidou. Toleraram-nos e permitiram-lhes um ar de respeitabilidade. Herdámos assim problemas para décadas…A título de comparação, os vencedores do 25/11, comportaram-se como os generais ingleses que deixaram partir Junot e o que restava do seu Exército, com armas e bagagens – e tudo o que roubaram. Até forneceram os navios!


E se hoje o PCP diz aceitar o jogo democrático “burguês”é porque não lhe resta outra alternativa e tem gozado das “amplas liberdades”que sempre foram negadas aos outros, quando um partido comunista esteve no poder em qualquer parte do mundo. E não ouvimos, até hoje, qualquer declaração do Comité Central renunciando à ditadura do proletariado, à conquista revolucionária do poder, à luta de classes e outros mimos semelhantes.


Dão-se alvíssaras, portanto, a quem conseguir perceber em que é que o Prof. Marcelo se apoia para tão calorosas felicitações.


O BE ainda consegue ser pior. Menos perigoso, mas pior.


O Bloco é uma amalgama de trânsfugas de um número indeterminado de ideologias e “istas” falhados, qual deles o pior, o que resulta num nexo caótico cujo fio condutor é o ódio ao que existe.


A envolver tudo isto temos uma mistura de novos e velhos jacobinismos com herdeiros do Maio de 68, em França, que resultaram na pior liderança politica do último milénio…Esta rapaziada espalhou-se e invadiu todos os partidos, parlamentos e governos dos países ocidentais. Encontraram os cofres cheios e os supermercados repletos e pensaram que tinham o rei na barriga. Renegaram os princípios e valores que tinham criado esta riqueza e bem-estar e trocaram-nos pelo relativismo moral, o multiculturalismo, o consumismo, o individualismo feroz e a cultura do prazer. Desenterraram a teoria do “bom selvagem”, desresponsabilizando os actos anti-sociais e pondo o ónus numa entidade indefinida chamada sociedade.


Ignorar Deus e o espiritual já não lhes chega, são militantemente contra. Atacam a família (e todas as instituições centenárias), e já quase a destruíram. Enfim isto dava pano para mangas.


Os partidos do “arco do poder”estão, também, todos coloridos por esta gente. E pior foram infiltrados pelas diversas “maçonarias” existentes e grupos de interesses ligados a negócios. Tudo virou, aliás, negócio, daí serem falhos de princípios, de ideologia e de patriotismo.


Com a queda do muro de Berlim e sem contrapeso ideológico/militar, a alta finança ocidental começou a desenvolver comportamentos típicos da natureza humana num ambiente “sem peias”, a fim de cevarem os seus apetites gananciosos de poder e dinheiro.


Começaram por acelerar os poderes de organizações internacionais que ninguém elegeu e que funcionam à margem dos estados nacionais e da ONU (supostamente a sede do Direito Internacional), como são o G-20, a Comissão Trilateral e o Grupo de Bilderberg; depois tentaram criar um mercado mundial de comércio (a tal globalização), subtraindo o controlo da economia a cada estado, em favor das grandes companhias multinacionais – originando problemas enormes de emprego e fluxos migratórios. Mas a reacção da China, da Índia e em parte da Rússia começou a destabilizar o sistema (o mundo muçulmano, à parte a “elite” da OPEP, tem ficado de fora deste esquema por razões próprias; veremos como o tumulto que os varre neste momento – e que aparentemente ninguém previu – se vai harmonizar com esta realidade).


Finalmente desregularam o sistema financeiro de tal forma, que criaram ondas de choque – com origem na Wall Street – que se propagaram em todo o mundo. Tais ondas estão longe de terem parado.


Alguns dos principais responsáveis por estes actos reputados como criminosos, segundo o filme “Inside Job”, premiado na última edição dos Óscares, foram convidados para o governo dos EUA pelo Presidente….Obama. Esse mesmo, que na campanha eleitoral prometeu que ia pôr a Wall Street na ordem.


Perante tudo isto, os políticos saídos do tal arco do poder, nada previram, nada viram e nada fizeram. Agora querem que seja a população a pagar.


Em Portugal não foi diferente, apenas com particularidades próprias.


Atordoados e inermes depois de PREC louco, perdendo no espaço de ano e meio cerca de 95% do território e 60% da população – e sem nunca, até hoje, se ter tido a coragem de fazer um balanço e medir as consequências que isso teve para o país – a população portuguesa ficou num estado de stress pós traumático!


Sem lideranças patriotas e maioritariamente internacionalistas, nivelados por baixo, com grande parte das elites emigradas ou presas e envergonhados de sermos descendentes de Gamas, Albuquerques e Cabrais (até isso nos tiraram), o país abandonou-se como barco à deriva, sem motor nem timoneiro, no mar da CEE.


Fomo-nos autodestruindo e passámos a viver a prazo e de crédito.


Como pano de fundo de tudo isto implantou-se um sistema político/partidário que vive em guerra civil permanente (ainda sem tiros), encimado por um regime semi-presidencialista, que não é carne nem peixe. Está bloqueado e não se recomenda.


Numa palavra, desqualificámo-nos e ninguém nos leva a sério. Nem nós próprios.


Os responsáveis por tudo isto somos todos, é certo, mas alguns são mais do que outros.


Mas desses que são mais responsáveis ainda não veio ninguém dizer que se enganou e ninguém pediu desculpa. E o mais incrível é que ninguém dos responsáveis quer dar o exemplo nos sacrifícios que está a impor como canga a toda a Nação, ficando as principais clientelas políticas de fora!


A vergonha próxima da nossa desqualificação como nação (já nem é o estado), vai dar-se no próximo festival da canção, em Berlim, com a representação que lá elegemos levar. Isto de eleições teve sempre os seus perigos…


Era para protestar contra todo este tipo de comportamentos que eu gostava de me manifestar no próximo dia 12. Pela tal decência que tem que andar associada a vergonha na cara.


Como fazer então se, aparentemente, não é isso que vai acontecer e, ainda por cima as pessoas que eventualmente partilhassem desta motivação, vão ficar no conforto da lareira?


Tudo pesado, decido ir.


Irei sozinho ou com familiares. Não corro o perigo de me confundir com outrem; não hostilizarei coisa alguma ou alguém. Não levo bandeiras nem palavras de ordem; o silêncio será o meu protesto. Pela decência.


Não me misturarei com quem defenda coisas com que não me identifico, mas terei com todos a solidariedade de compatriota. Somos todos portugueses e essa é a base comum e alargada que nos deve unir.


O “palco” não pode, nem deve, ser ocupado sempre pelos mesmos e ninguém tem de abdicar das suas convicções, ou sentir-se intimidado.


O futuro envolve-nos a todos e vai ter que ser percorrido por todos.


João José Brandão Ferreira


Cidadão eleitor nºB-10614

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sábado, 5 de março de 2011

O 'DISCURSO DA CORTINA DE FERRO'

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President McCluer, ladies and gentlemen, and last, but certainly not least, the President of the United States of America:

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I am very glad indeed to come to Westminster College this afternoon, and I am complimented that you should give me a degree from an institution whose reputation has been so solidly established. The name "Westminster" somehow or other seems familiar to me. I feel as if I have heard of it before. Indeed now that I come to think of it, it was at Westminster that I received a very large part of my education in politics, dialectic, rhetoric, and one or two other things. In fact we have both been educated at the same, or similar, or, at any rate, kindred establishments.
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It is also an honor, ladies and gentlemen, perhaps almost unique, for a private visitor to be introduced to an academic audience by the President of the United States. Amid his heavy burdens, duties, and responsibilities--unsought but not recoiled from--the President has traveled a thousand miles to dignify and magnify our meeting here to-day and to give me an opportunity of addressing this kindred nation, as well as my own countrymen across the ocean, and perhaps some other countries too. The President has told you that it is his wish, as I am sure it is yours, that I should have full liberty to give my true and faithful counsel in these anxious and baffling times. I shall certainly avail myself of this freedom, and feel the more right to do so because any private ambitions I may have cherished in my younger days have been satisfied beyond my wildest dreams. Let me however make it clear that I have no official mission or status of any kind, and that I speak only for myself. There is nothing here but what you see.
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I can therefore allow my mind, with the experience of a lifetime, to play over the problems which beset us on the morrow of our absolute victory in arms, and to try to make sure with what strength I have that what has gained with so much sacrifice and suffering shall be preserved for the future glory and safety of mankind.
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Ladies and gentlemen, the United States stands at this time at the pinnacle of world power. It is a solemn moment for the American Democracy. For with primacy in power is also joined an awe-inspiring accountability to the future. If you look around you, you must feel not only the sense of duty done but also you must feel anxiety lest you fall below the level of achievement. Opportunity is here and now, clear and shining for both our countries. To reject it or ignore it or fritter it away will bring upon us all the long reproaches of the after-time. It is necessary that the constancy of mind, persistency of purpose, and the grand simplicity of decision shall rule and guide the conduct of the English-speaking peoples in peace as they did in war. We must, and I believe we shall, prove ourselves equal to this severe requirement.
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President McCluer, when American military men approach some serious situation they are wont to write at the head of their directive the words "over-all strategic concept". There is wisdom in this, as it leads to clarity of thought. What then is the over-all strategic concept which we should inscribe to-day? It is nothing less than the safety and welfare, the freedom and progress, of all the homes and families of all the men and women in all the lands. And here I speak particularly of the myriad cottage or apartment homes where the wage-earner strives amid the accidents and difficulties of life to guard his wife and children from privation and bring the family up the fear of the Lord, or upon ethical conceptions which often play their potent part.
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To give security to these countless homes, they must be shielded form two gaunt marauders, war and tyranny. We al know the frightful disturbance in which the ordinary family is plunged when the curse of war swoops down upon the bread-winner and those for whom he works and contrives. The awful ruin of Europe, with all its vanished glories, and of large parts of Asia glares us in the eyes. When the designs of wicked men or the aggressive urge of mighty States dissolve over large areas the frame of civilized society, humble folk are confronted with difficulties with which they cannot cope. For them is all distorted, all is broken, all is even ground to pulp.
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When I stand here this quiet afternoon I shudder to visualize what is actually happening to millions now and what is going to happen in this period when famine stalks the earth. None can compute what has been called "the unestimated sum of human pain". Our supreme task and duty is to guard the homes of the common people from the horrors and miseries of another war. We are all agreed on that.
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Our American military colleagues, after having proclaimed their "over-all strategic concept" and computed available resources, always proceed to the next step -- namely, the method. Here again there is widespread agreement. A world organization has already been erected for the prime purpose of preventing war. UNO, the successor of the League of Nations, with the decisive addition of the United States and all that that means, is already at work. We must make sure that its work is fruitful, that it is a reality and not a sham, that it is a force for action, and not merely a frothing of words, that it is a true temple of peace in which the shields of many nations can some day be hung up, and not merely a cockpit in a Tower of Babel. Before we cast away the solid assurances of national armaments for self-preservation we must be certain that our temple is built, not upon shifting sands or quagmires, but upon a rock. Anyone can see with his eyes open that our path will be difficult and also long, but if we persevere together as we did in the two world wars -- though not, alas, in the interval between them -- I cannot doubt that we shall achieve our common purpose in the end.
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I have, however, a definite and practical proposal to make for action. Courts and magistrates may be set up but they cannot function without sheriffs and constables. The United Nations Organization must immediately begin to be equipped with an international armed force. In such a matter we can only go step by step, but we must begin now. I propose that each of the Powers and States should be invited to dedicate a certain number of air squadrons to the service of the world organization. These squadrons would be trained and prepared in their own countries, but would move around in rotation from one country to another. They would wear the uniforms of their own countries but with different badges. They would not be required to act against their own nation, but in other respects they would be directed by the world organization. This might be started on a modest scale and it would grow as confidence grew. I wished to see this done after the first world war, and I devoutly trust that it may be done forthwith.
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It would nevertheless, ladies and gentlemen, be wrong and imprudent to entrust the secret knowledge or experience of the atomic bomb, which the United States, great Britain, and Canada now share, to the world organization, while still in its infancy. It would be criminal madness to cast it adrift in this still agitated and un-united world. No one country has slept less well in their beds because this knowledge and the method and the raw materials to apply it, are present largely retained in American hands. I do not believe we should all have slept so soundly had the positions been reversed and some Communist or neo-Facist State monopolized for the time being these dread agencies. The fear of them alone might easily have been used to enforce totalitarian systems upon the free democratic world, with consequences appalling to human imagination. God has willed that this shall not be and we have at least a breathing space to set our world house in order before this peril has to be encountered: and even then, if no effort is spared, we should still possess so formidable a superiority as to impose effective deterrents upon its employment, or threat of employment, by others. Ultimately, when the essential brotherhood of man is truly embodied and expressed in a world organization with all the necessary practical safeguards to make it effective, these powers would naturally be confided to that world organizations.
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Now I come to the second of the two marauders, to the second danger which threatens the cottage homes, and the ordinary people -- namely, tyranny. We cannot be blind to the fact that the liberties enjoyed by individual citizens throughout the United States and throughout the British Empire are not valid in a considerable number of countries, some of which are very powerful. In these States control is enforced upon the common people by various kinds of all-embracing police governments to a degree which is overwhelming and contrary to every principle of democracy. The power of the State is exercised without restraint, either by dictators or by compact oligarchies operating through a privileged party and a political police. It is not our duty at this time when difficulties are so numerous to interfere forcibly in the internal affairs of countries which we have not conquered in war. but we must never cease to proclaim in fearless tones the great principles of freedom and the rights of man which are the joint inheritance of the English-speaking world and which through Magna Carta, the Bill of rights, the Habeas Corpus, trial by jury, and the English common law find their most famous expression in the American Declaration of Independence.
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All this means that the people of any country have the right, and should have the power by constitutional action, by free unfettered elections, with secret ballot, to choose or change the character or form of government under which they dwell; that freedom of speech and thought should reign; that courts of justice, independent of the executive, unbiased by any party, should administer laws which have received the broad assent of large majorities or are consecrated by time and custom. Here are the title deeds of freedom which should lie in every cottage home. Here is the message of the British and American peoples to mankind. Let us preach what we practice -- let us practice what we preach.
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Though I have now stated the two great dangers which menace the home of the people, War and Tyranny, I have not yet spoken of poverty and privation which are in many cases the prevailing anxiety. But if the dangers of war and tyranny are removed, there is no doubt that science and cooperation can bring in the next few years, certainly in the next few decades, to the world, newly taught in the sharpening school of war, an expansion of material well-being beyond anything that has yet occurred in human experience.
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Now, at this sad and breathless moment, we are plunged in the hunger and distress which are the aftermath of our stupendous struggle; but this will pass and may pass quickly, and there is no reason except human folly or sub-human crime which should deny to all the nations the inauguration and enjoyment of an age of plenty. I have often used words which I learn fifty years ago from a great Irish-American orator, a friend of mine, Mr. Bourke Cockran, "There is enough for all. The earth is a generous mother; she will provide in plentiful abundance food for all her children if they will but cultivate her soil in justice and peace." So far I feel that we are in full agreement.
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Now, while still pursing the method -- the method of realizing our over-all strategic concept, I come to the crux of what I have traveled here to say. Neither the sure prevention of war, nor the continuous rise of world organization will be gained without what I have called the fraternal association of the English-speaking peoples. This means a special relationship between the British Commonwealth and Empire and the United States of America. Ladies and gentlemen, this is no time for generality, and I will venture to the precise. Fraternal association requires not only the growing friendship and mutual understanding between our two vast but kindred systems of society, but the continuance of the intimate relations between our military advisers, leading to common study of potential dangers, the similarity of weapons and manuals of instructions, and to the interchange of officers and cadets at technical colleges. It should carry with it the continuance of the present facilities for mutual security by the joint use of all Naval and Air Force bases in the possession of either country all over the world. This would perhaps double the mobility of the American Navy and Air Force. It would greatly expand that of the British Empire forces and it might well lead, if and as the world calms down, to important financial savings. Already we use together a large number of islands; more may well be entrusted to our joint care in the near future.
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The United States has already a Permanent Defense Agreement with the Dominion of Canada, which is so devotedly attached to the British Commonwealth and the Empire. This Agreement is more effective than many of those which have been made under formal alliances. This principle should be extended to all the British Commonwealths with full reciprocity. Thus, whatever happens, and thus only, shall we be secure ourselves and able to works together for the high and simple causes that are dear to us and bode no ill to any. Eventually there may come -- I feel eventually there will come -- the principle of common citizenship, but that we may be content to leave to destiny, whose outstretched arm many of us can already clearly see.
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There is however an important question we must ask ourselves. Would a special relationship between the United States and the British Commonwealth be inconsistent with our over-riding loyalties to the World Organization? I reply that, on the contrary, it is probably the only means by which that organization will achieve its full stature and strength. There are already the special United States relations with Canada that I have just mentioned, and there are the relations between the United States and the South American Republics. We British have also our twenty years Treaty of Collaboration and Mutual Assistance with Soviet Russia. I agree with Mr. Bevin, the Foreign Secretary of Great Britain, that it might well be a fifty years treaty so far as we are concerned. We aim at nothing but mutual assistance and collaboration with Russia. The British have an alliance with Portugal unbroken since the year 1384, and which produced fruitful results at a critical moment in the recent war. None of these clash with the general interest of a world agreement, or a world organization; on the contrary, they help it. "In my father's house are many mansions." Special associations between members of the United Nations which have no aggressive point against any other country, which harbor no design incompatible with the Charter of the United Nations, far from being harmful, are beneficial and, as I believe, indispensable.
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I spoke earlier, ladies and gentlemen, of the Temple of Peace. Workmen from all countries must build that temple. If two of the workmen know each other particularly well and are old friends, if their families are intermingled, if they have "faith in each other's purpose, hope in each other's future and charity towards each other's shortcomings" -- to quote some good words I read here the other day -- why cannot they work together at the common task as friends and partners? Why can they not share their tools and thus increase each other's working powers? Indeed they must do so or else the temple may not be built, or, being built, it may collapse, and we should all be proved again unteachable and have to go and try to learn again for a third time in a school of war incomparably more rigorous than that from which we have just been released. The dark ages may return, the Stone Age may return on the gleaming wings of science, and what might now shower immeasurable material blessings upon mankind, may even bring about its total destruction. Beware, I say; time may be short. Do not let us take the course of allowing events to drift along until it is too late. If there is to be a fraternal association of the kind of I have described, with all the strength and security which both our countries can derive from it, let us make sure that that great fact is known to the world, and that it plays its part in steadying and stabilizing the foundations of peace. There is the path of wisdom. Prevention is better than the cure.
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A shadow has fallen upon the scenes so lately light by the Allied victory. Nobody knows what Soviet Russia and its Communist international organization intends to do in the immediate future, or what are the limits, if any, to their expansive and proselytizing tendencies. I have a strong admiration and regard for the valiant Russian people and for my wartime comrade, Marshall Stalin. There is deep sympathy and goodwill in Britain -- and I doubt not here also -- towards the peoples of all the Russias and a resolve to persevere through many differences and rebuffs in establishing lasting friendships. We understand the Russian need to be secure on her western frontiers by the removal of all possibility of German aggression. We welcome Russia to her rightful place among the leading nations of the world. We welcome her flag upon the seas. Above all, we welcome, or should welcome, constant, frequent and growing contacts between the Russian people and our own people on both sides of the Atlantic. It is my duty however, for I am sure you would wish me to state the facts as I see them to you. It is my duty to place before you certain facts about the present position in Europe.
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From Stettin in the Baltic to Trieste in the Adriatic an iron curtain has descended across the Continent. Behind that line lie all the capitals of the ancient states of Central and Eastern Europe. Warsaw, Berlin, Prague, Vienna, Budapest, Belgrade, Bucharest and Sofia, all these famous cities and the populations around them lie in what I must call the Soviet sphere, and all are subject in one form or another, not only to Soviet influence but to a very high and, in some cases, increasing measure of control from Moscow. Athens alone -- Greece with its immortal glories -- is free to decide its future at an election under British, American and French observation. The Russian-dominated Polish Government has been encouraged to make enormous and wrongful inroads upon Germany, and mass expulsions of millions of Germans on a scale grievous and undreamed-of are now taking place. The Communist parties, which were very small in all these Eastern States of Europe, have been raised to pre-eminence and power far beyond their numbers and are seeking everywhere to obtain totalitarian control. Police governments are prevailing in nearly every case, and so far, except in Czechoslovakia, there is no true democracy.
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Turkey and Persia are both profoundly alarmed and disturbed at the claims which are being made upon them and at the pressure being exerted by the Moscow Government. An attempt is being made by the Russians in Berlin to build up a quasi-Communist party in their zone of occupied Germany by showing special favors to groups of left-wing German leaders. At the end of the fighting last June, the American and British Armies withdrew westward, in accordance with an earlier agreement, to a depth at some points of 150 miles upon a front of nearly four hundred miles, in order to allow our Russian allies to occupy this vast expanse of territory which the Western Democracies had conquered.
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If no the Soviet Government tries, by separate action , to build up a pro-Communist Germany in their areas, this will cause new serious difficulties in the American and British zones, and will give the defeated Germans the power of putting themselves up to auction between the Soviets and the Western Democracies. Whatever conclusions may be drawn from these facts -- and facts they are -- this is certainly not the Liberated Europe we fought to build up. Nor is it one which contains the essentials of permanent peace.
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The safety of the world, ladies and gentlemen, requires a new unity in Europe, from which no nation should be permanently outcast. It is from the quarrels of the strong parent races in Europe that the world wars we have witnessed, or which occurred in former times, have sprung. Twice in our own lifetime we have seen the United States, against their wished and their traditions, against arguments, the force of which it is impossible not to comprehend, twice we have seen them drawn by irresistible forces, into these wars in time to secure the victory of the good cause, but only after frightful slaughter and devastation have occurred. Twice the United State has had to send several millions of its young men across the Atlantic to find the war; but now war can find any nation, wherever it may dwell between dusk and dawn. Surely we should work with conscious purpose for a grand pacification of Europe, within the structure of the United Nations and in accordance with our Charter. That I feel opens a course of policy of very great importance.
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In front of the iron curtain which lies across Europe are other causes for anxiety. In Italy the Communist Party is seriously hampered by having to support the Communist-trained Marshal Tito's claims to former Italian territory at the head of the Adriatic. Nevertheless the future of Italy hangs in the balance. Again one cannot imagine a regenerated Europe without a strong France. All my public life I never last faith in her destiny, even in the darkest hours. I will not lose faith now. However, in a great number of countries, far from the Russian frontiers and throughout the world, Communist fifth columns are established and work in complete unity and absolute obedience to the directions they receive from the Communist center. Except in the British Commonwealth and in the United States where Communism is in its infancy, the Communist parties or fifth columns constitute a growing challenge and peril to Christian civilization. These are somber facts for anyone to have recite on the morrow a victory gained by so much splendid comradeship in arms and in the cause of freedom and democracy; but we should be most unwise not to face them squarely while time remains.
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The outlook is also anxious in the Far East and especially in Manchuria. The Agreement which was made at Yalta, to which I was a party, was extremely favorable to Soviet Russia, but it was made at a time when no one could say that the German war might no extend all through the summer and autumn of 1945 and when the Japanese war was expected by the best judges to last for a further 18 months from the end of the German war. In this country you all so well-informed about the Far East, and such devoted friends of China, that I do not need to expatiate on the situation there.
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I have, however, felt bound to portray the shadow which, alike in the west and in the east, falls upon the world. I was a minister at the time of the Versailles treaty and a close friend of Mr. Lloyd-George, who was the head of the British delegation at Versailles. I did not myself agree with many things that were done, but I have a very strong impression in my mind of that situation, and I find it painful to contrast it with that which prevails now. In those days there were high hopes and unbounded confidence that the wars were over and that the League of Nations would become all-powerful. I do not see or feel that same confidence or event he same hopes in the haggard world at the present time.
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On the other hand, ladies and gentlemen, I repulse the idea that a new war is inevitable; still more that it is imminent. It is because I am sure that our fortunes are still in our own hands and that we hold the power to save the future, that I feel the duty to speak out now that I have the occasion and the opportunity to do so. I do not believe that Soviet Russia desires war. What they desire is the fruits of war and the indefinite expansion of their power and doctrines. But what we have to consider here today while time remains, is the permanent prevention of war and the establishment of conditions of freedom and democracy as rapidly as possible in all countries. Our difficulties and dangers will not be removed by closing our eyes to them. They will not be removed by mere waiting to see what happens; nor will they be removed by a policy of appeasement. What is needed is a settlement, and the longer this is delayed, the more difficult it will be and the greater our dangers will become.
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From what I have seen of our Russian friends and Allies during the war, I am convinced that there is nothing for which they have less respect than for weakness, especially military weakness. For that reason the old doctrine of a balance of power is unsound. We cannot afford, if we can help it, to work on narrow margins, offering temptations to a trial of strength. If the Western Democracies stand together in strict adherence to the principles will be immense and no one is likely to molest them. If however they become divided of falter in their duty and if these all-important years are allowed to slip away then indeed catastrophe may overwhelm us all.
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Last time I saw it all coming and I cried aloud to my own fellow-countrymen and to the world, but no one paid any attention. Up till the year 1933 or even 1935, Germany might have been saved from the awful fate which has overtaken here and we might all have been spared the miseries Hitler let loose upon mankind. there never was a war in history easier to prevent by timely action than the one which has just desolated such great areas of the globe. It could have been prevented in my belief without the firing of a single shot, and Germany might be powerful, prosperous and honored today; but no one would listen and one by one we were all sucked into the awful whirlpool. We surely, ladies and gentlemen, I put it to you, surely, we must not let it happen again. This can only be achieved by reaching now, in 1946, by reaching a good understanding on all points with Russia under the general authority of the United Nations Organization and by the maintenance of that good understanding through many peaceful years, by the whole strength of the English-speaking world and all its connections. There is the solution which I respectfully offer to you in this Address to which I have given the title, "The Sinews of Peace".
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Let no man underrate the abiding power of the British Empire and Commonwealth. Because you see the 46 millions in our island harassed about their food supply, of which they only grow one half, even in war-time, or because we have difficulty in restarting our industries and export trade after six years of passionate war effort, do not suppose we shall not come through these dark years of privation as we have come through the glorious years of agony. Do not suppose that half a century from now you will not see 70 or 80 millions of Britons spread about the world united in defense of our traditions, and our way of life, and of the world causes which you and we espouse. If the population of the English-speaking Commonwealths be added to that of the United States with all that such co-operation implies in the air, on the sea, all over the globe and in science and in industry, and in moral force, there will be no quivering, precarious balance of power to offer its temptation to ambition or adventure. On the contrary there will be an overwhelming assurance of security. If we adhere faithfully to the Charter of the United Nations and walk forward in sedate and sober strength seeking no one's land or treasure, seeking to lay no arbitrary control upon the thoughts of men; if all British moral and material forces and convictions are joined with your own in fraternal association, the highroads of the future will be clear, not only for our time, but for a century to come.
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