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domingo, 28 de abril de 2013

ESTE É O MAIOR FRACASSO DA DEMOCRACIA PORTUGUESA

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Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, (Olá! camaradas Sócrates...Olá! Armando Vara...), que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido.

Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, em governação socialista, distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a "prostituir-se" na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos.
Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora continua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido.

Para garantir que vai continuar burro o grande "cavallia" (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades.
Gente assim mal formada vai aceitar tudo, e o país será o pátio de recreio dos mafiosos.

A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.
Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção.

Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.

Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado.
Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.

Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.

Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituamo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?

Vale e Azevedo pagou por todos?
Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?
Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.

No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?

As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.
E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu? Alguns até arranjaram cargos em organismos da UE.

Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.
E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?
O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.
E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.
Ninguém quer saber a verdade.

Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.
Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações 
que impede a escavação da verdade.
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domingo, 21 de abril de 2013

domingo, 14 de abril de 2013

A ENTREVISTA... COMÍCIO

Há uns anos, eu deixava habitualmente o carro no parque subterrâneo de um prédio com acesso pela Av. da Liberdade e cujas traseiras davam para a Rua Duque de Palmela.
João Vale e Azevedo, na altura presidente do Benfica, tinha escritório nesse prédio, o que era uma festa: quase todos os dias, à saída dos elevadores, havia uma bateria de jornalistas à sua espera.
Às vezes, eu e ele cruzávamo-nos de manhã ou ao fim da tarde, e fazíamos conversa de circunstância. Um dia apanhou-me à saída e propôs-se acompanhar-me a pé até ao meu emprego. Na véspera tinha havido um debate televisivo entre os candidatos à presidência do Benfica, que ele vencera claramente, e queria falar sobre o assunto. Fomos então pela Rua Duque de Palmela fora, com ele a debitar as suas impressões da noite anterior. A certa altura, procurando ser simpático, eu disse-lhe:
-- Tenho de lhe dar os parabéns pelo debate! Você, mesmo quando não tem razão, consegue ser convincente.
Ele olhou para mim espantado, e acabou por dizer:
– Arq.º Saraiva, está enganado! Eu tinha razão em tudo o que disse!
Percebi que não valia a pena contra-argumentar. O homem estava absolutamente convencido da sua verdade e nada o demoveria. Foi esta a ideia que me veio à cabeça no fim da entrevista com Sócrates na quarta-feira da semana passada.
Sócrates e Vale e Azevedo são almas gémeas. Têm personalidades muito próximas. São ambos megalómanos, perseverantes, combativos e portadores de uma energia inesgotável, acham que não fizeram nada de errado mas levam instituições à falência, têm um enorme desplante, mentem com toda a convicção (porque parecem não saber distinguir entre a verdade e a mentira) e tudo aquilo em que se metem é nebuloso.
No princípio da entrevista, Sócrates garantiu que não seria candidato a Belém. Lembrei-me de que, dois ou três meses antes de assumir a liderança do PS, ele me disse que ia abandonar a política. Perante a minha insistência, respondeu-me que era uma decisão inabalável, pois Guterres tinha saído muito mal do poder e ele não queria passar pelo mesmo. Isto, repito, passava-se poucos meses antes de ganhar a presidência do PS. Como poderemos saber o que ele fará dentro de três anos? Mas houve quem aceitasse essa garantia como boa…
Depois deste intróito, Sócrates atacou os que criticaram o seu regresso à TV, dizendo que o queriam calar, que pretendiam impedi-lo de se defender, que tal era antidemocrático e mostrava «o carácter dessa gente». Ele seria incapaz de fazer o mesmo a alguém.
Neste ponto da entrevista, senti um sobressalto: mas, afinal, quem pressionou a TVI para afastar Manuela Moura Guedes? Quem manobrou para pôr José Manuel Fernandes fora do Público? E Mário Crespo fora da SIC? Quem enviou Rui Pedro Soares a Madrid para comprar a TVI, em nome da PT, com vista a mudar-lhe a orientação? Quem deu instruções a Armando Vara, então administrador do BCP, para fechar o SOL?
Sócrates desencadeou uma ofensiva sem precedentes contra vários órgãos de comunicação social, e agora tem o desplante de se queixar de que não queriam deixá-lo falar? Ainda por cima, ele sabe perfeitamente que, em cima da sua secretária em Paris, há pedidos de entrevista de toda a imprensa portuguesa. Queriam amordaçá-lo? Não brinquemos com coisas sérias.
A entrevista prosseguiu com Sócrates a rebater os «embustes» de que foi vítima e a corrigir a «narrativa» que se escreveu a seu respeito. Garantiu que o Memorando que assinou com a troika não previa cortes do 13.º e 14.º meses, aumento do IVA, reduções dos salários e pensões, etc. Um dos entrevistadores, Paulo Ferreira lembrou que o Memorando não estabelecia medidas concretas «mas apenas metas». Sócrates fingiu, porém, que não ouviu. Continuou na sua. E para condicionar os entrevistadores, usou várias vezes um truque a que Chávez também recorria: acusou-os de repetirem as «mentiras da direita» a seu respeito.
Sócrates levava outro alvo na mira, o Presidente da República. Disse que Cavaco não tinha «autoridade moral» para lhe dar lições, e citou o caso das escutas. Afirmou que foi uma «invenção da Casa Civil do Presidente para derrubar o Governo». Não sei se foi uma invenção nem sei qual era a intenção. O que sei é que o caso foi aproveitado à exaustão pelo Governo de Sócrates e pelo Partido Socialista para atacar Cavaco. Se houve aproveitamento político do caso das escutas, foi do PS para atacar Cavaco e não o inverso. Aliás, ao contrário do que Sócrates também afirmou, a ‘personagem central’ do caso, Fernando Lima, não foi promovido mas sim destituído da chefia do gabinete de imprensa, e afastado do espaço público.
Mas, no ataque a Cavaco, Sócrates não se ficou por aqui. Adiantou que o Presidente tinha uma atitude em relação ao seu Governo, e tem outra relativamente a este. Mas Sócrates estará bem informado do que se passa em Portugal? Onde estaria quando Cavaco pronunciou o célebre discurso de Ano Novo em que falou da «espiral recessiva»? Ou quando enviou o Orçamento para o TC com observações assassinas para o Governo de Passos Coelho sobre os cortes nas pensões?
Será a ‘narrativa’ que está errada – ou Sócrates que quer escrever uma História que não existe?
Porém – hélas! –, depois de negar todas as acusações que lhe têm sido feitas, esgrimindo números que ‘provam’ que ele nem governou nada mal, Sócrates reconheceu ter cometido um erro. Fez-se suspense. Ficámos todos à espera que ele fosse apontar uma medida mal pensada, algo que explicasse o facto de o país estar à beira da bancarrota quando ele saiu. Então, disse:
– Sim, cometi um erro. Se voltasse atrás, não o tinha feito. O erro foi formar um Governo minoritário. Tive de enfrentar permanentemente um Parlamento hostil.
Afinal, o erro de Sócrates não foi bem um erro – foi um acto de coragem. Do qual ele acabou sendo a vítima. Um herói incompreendido. Quase um mártir.
Este tom perpassou por toda a entrevista. Sócrates nunca foi um carrasco – foi sempre uma vítima. Uma vítima da oposição, que chumbou o PEC IV. Uma vítima do Presidente da República, que conspirou contra ele. Uma vítima dos mercados, que agiram com ganância e foram responsáveis pelo aumento da dívida. Uma vítima ‘dessa gente’ que o queria agora calar.
A meio da entrevista, tive uma sensação de déjà vu, de cansaço. Aquele era um filme já visto, num estilo conhecido.
No fim do programa, porém, todos os canais se lançaram com louca excitação para escalpelizar as palavras de Sócrates, mobilizando para o efeito baterias de comentadores que proporcionaram uma verdadeira maratona que durou todo o serão.
Mesmo assim, houve grandes momentos. Na SIC Notícias, Sousa Tavares começou a esboçar uma defesa de Sócrates, sendo energicamente rebatido por Gomes Ferreira, que explicou que inúmeros prejuízos, como os das empresas públicas, das empresas municipais ou da Madeira tinham sido atirados para baixo do tapete e não contabilizados. Por isso, as contas de Sócrates eram «uma mentira».
Sousa Tavares ainda proporcionaria um momento hilariante ao dizer que, na era socrática, ninguém se tinha oposto às grandes obras públicas. Ricardo Costa emendou:
– Miguel, a Manuela Ferreira Leite foi sempre contra!
Mas Miguel não se lembrava. Não se lembrava de Manuela Ferreira Leite ter sido contra o TGV, contra o Aeroporto, etc., e até ter feito uma campanha eleitoral inteira a falar contra os grandes projectos, que – segundo ela – «iam lançar encargos brutais sobre as gerações futuras». Enfim, os defensores de Sócrates revelam em alguns temas uma memória tão boa como a do seu patrono.
O momento mais extraordinário daquela noite guardei-o, porém, para o fim. A certa altura da entrevista, José Sócrates disse, mostrando que não tinha nada a esconder:
– Nunca tive acções, nem dinheiro em offshores. Sempre tive a mesma conta bancária.
– Na Caixa Geral de Depósitos – anotou o jornalista Paulo Ferreira.
– Na Caixa Geral de Depósitos – confirmou Sócrates, humilde.
Ora aí, veio-me uma coisa à cabeça: ‘Mas eu vi uns cheques de Sócrates doutro banco. Estarei a fazer confusão?’. Fui confirmar. Não estava a fazer confusão: os cheques eram mesmo de outro banco, o Totta, tinham escarrapachado o nome completo do cliente – «José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa» – e eram às centenas! Para que precisaria Sócrates de tantos cheques? Não faço a menor ideia.
A verdade é que há demasiadas interrogações no percurso de José Sócrates. Foi a coincineração da Cova da Beira, os mamarrachos da Câmara da Guarda, o diploma da Universidade Independente, o Freeport, o Face Oculta, o Tagus Parque… A propósito: de nada disto se falou na entrevista.
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quinta-feira, 4 de abril de 2013

NÃO ESQUECEU NADA. NÃO APRENDEU NADA

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O espectáculo de Sócrates é mais próprio de um circo do que de uma ágora, e a sua mensagem política falha o essencial.

O mundo não é um estúdio de televisão. Portugal também não. Felizmente. Mas José Sócrates parece não o ter ainda descoberto. Por isso quarta-feira, o dia do seu anunciado regresso, foi também um dia revelador. Porque, para quem tivesse dúvidas, ficou claro que ao antigo primeiro-ministro se aplica como uma luva o comentário que Napoleão fez sobre os Bourbons: "Não esqueceram nada e não aprenderam nada."
Talvez não fosse preciso dizer mais nada. O político combativo, o "animal feroz", voltou para nos recordar como nunca é capaz de admitir que errou ou de perdoar. Também nos recordou como se pode ser malcriado e arrogante, como se constrói todo um discurso baseado num permanente extremar de posições, na constante instrumentalização dos números e na redução da realidade a um retrato a preto e branco em que o próprio é a única referência e a única preocupação.
Habilidoso neste tipo de exercício, eficaz a impor os seus temas e a sua agenda, alimenta a convicção de que pode bater todos aos pontos quando, na verdade, o que faz é criar um deserto à sua volta, um deserto onde só sobrevivem os seus fiéis. Como espectáculo é mais próprio de um circo do que de uma ágora, mas há quem goste. Agora como mensagem política falha o essencial.
Ancorado no passado, sem nada de novo para dizer, centrado na sua "narrativa" e nas suas obsessões com "embustes" e ajustes de contas, apenas ofereceu como alternativa, ou como visão, um sonoro "parem com a austeridade". Não foi apenas pouco, foi patético: por muito que nos custe a austeridade, ou que Gaspar nos faça pele de galinha, sabemos que recusá-la é uma ilusão. Só Sócrates parece ainda achar que o mundo era perfeito, e o seu Governo excelso, até um banco falir. Já ninguém acredita nisso.
Os Bourbons, quando regressaram a Paris depois do fim do Império napoleónico, acreditaram poder regressar à "doçura de viver" do Antigo Regime. Sócrates, que veio de Paris, não ambicionaria tanto, mas julgou poder reviver o passado e, sobretudo, reescrevê-lo. Mas o país que encontrou é outro. É um país, no mínimo, mais céptico e menos propenso a embarcar no tipo de ilusionismo em que é especialista. Já não encontra quem lhe compre auto-estradas, aeroportos e cheques-bebé, como em 2009.
Sócrates é daqueles que acredita que pode mudar a realidade como quem muda o cenário num estúdio de televisão. Mais: que o pode fazer através do discurso e daquilo a que chama "acção política". Trata-se de um voluntarismo duplamente perigoso. Primeiro, porque muitas vezes mascara a realidade, e fá-lo de forma deliberada. Em nome da criação de "expectativas positivas", falsifica o real no limite da mitomania: o mundo de Sócrates é um mundo que ele mesmo criou, mas em que acredita ao ponto de achar que esse mundo de fantasia é o verdadeiro. Depois, este esforço de modelação da realidade conduz também ao autoritarismo, um das marcas do seu consulado, pois não aceita contraditório.
Ora se o Portugal de hoje já não é o país imaginário das várias "narrativas" do "sucesso", da "competitividade" e da "modernidade", antes um país confrontado com o duro dia-a-dia de estar a pagar a conta de muitos desvarios, a verdade é que o distanciamento face ao discurso irreal não corresponde ainda a uma compreensão plena dos desafios que temos pela frente.
Há quatro realidades muito duras que ainda não digerimos por completo. A primeira é que o país foi de facto à bancarrota. Há quem o tenha dito alto na última semana (Daniel Bessa, Pedro Soares dos Santos), só que poucos o assumem. Tecnicamente, é verdade, o país nunca falhou os seus pagamentos, mas isso é uma ilusão: apenas não o fizemos porque o Estado (no tempo de Sócrates) começou por obrigar a banca portuguesa a financiá-lo e, depois, chamou a troika. Sem isso estaríamos insolventes.
A segunda é que, para evitar a bancarrota formal (que nenhum PEC4 contornaria, diga-se de passagem), tivemos de aceitar ser um país "de programa", a mesma coisa é dizer, um país de soberania limitada. O dinheiro só chega se passarmos nos exames trimestrais, algo que tende a ser esquecido. Tão esquecido que o próximo cheque da troika pode ser atrasado por estarmos atrasados no plano de cortes na despesa pública. Já alguém pensou nas consequências de esse cheque eventualmente não chegar?
A terceira realidade que nos atormenta é a da dimensão da dívida e o tempo que levaremos a fazê-la regressar a níveis comportáveis. Só para recordar os mais esquecidos: de 2005 a meados de 2011 a dívida passou de 90 para quase 170 mil milhões de euros (passou entretanto os 200 mil milhões) e agora vai ter de baixar para o equivalente a 100 mil milhões. É uma geração de austeridade. É um preço enorme a pagar.
A quarta e última realidade é que não vai ser possível levar este barco a bom porto no actual clima de confrontação política, de que a moção de censura do PS é apenas uma manifestação infeliz e, de certo modo, cobarde. Também não creio que possamos confiar num hipotético "pacto de regime" como o sugerido pelo governador do Banco de Portugal: não poderíamos ter um melhor pacto do que PS, PSD e CDS terem assinado o memorando da troika, mas viu-se o tempo que esse consenso sobreviveu. Em Portugal, com a nossa cultura política, a única solução que compromete os partidos é a partilha directa do poder. Previ-o e defendi-o ainda antes das últimas eleições, vejo agora mais gente a concordar. Não sei é se vamos a tempo e muito menos sei como chegar a um governo de base mais alargada sem ter pelo meio uma crise que deite borda fora o que já alcançámos.
E ainda há o problema Europa.
Voltou a estar na moda falar de guerra na Europa. Uns falam dos seus fantasmas, outros evocam 1913, o ano antes da grande tempestade, há até quem receie que algum tresloucado da Europa do Sul se lembre de reeditar um atentado, desta vez contra um ministro da Europa do Norte. Não estou, confesso, demasiado inquieto, mas por uma razão bem prosaica: quase já não há, na Europa, exércitos dignos desse nome. Para já e por agora essa é a nossa principal garantia de que isto não acaba muito depressa e muito mal.
A falta de militares em armas tem sido compensada pela abundância de plumitivos de espírito bélico. Vivemos numa espécie de nova irracionalidade, em que tudo e qualquer coisa passou a ser culpa, sempre e só, da Alemanha e da chanceler Merkel. Voltámos a vê-lo no caso de Chipre: ainda antes de sabermos o que se tinha passado na famosa reunião do Eurogrupo que decidiu a primeira fórmula do resgate, mesmo quando se multiplicavam as versões contraditórias, o único consenso estabelecido foi que o malvado era o ministro Schäuble.
Junto a esta nova irracionalidade vem a retórica incendiária. É só uma questão de escolher o insulto preferido: "huno", "teutão", "fascista", "neonazi", "Hitler de saias" ou o que mais vier à cabeça. Tudo serve para descrever a Alemanha e os seus líderes. Mesmo pessoas sensatas e inteligentes, como Viriato Soromenho Marques, comparam, no plano moral, o resgate a Chipre à chacina dos judeus, como se aquilo que acabou por acontecer - a falência de dois bancos que foram mal geridos - não devesse ser a regra e não a excepção.
Sobram pois os sinais de que o debate europeu se deslocou da realidade e foi substituído pelo preconceito. O que nos obriga a procurar algum realismo. Um bom começo encontrei-o esta semana nas páginas do mais europeísta dos jornais europeus, o Financial Times, onde três dos seus principais colunistas - Martin Wolf, Gideon Rachman e Wolfgang Münchau - pareceram convergir num ponto: não há nem haverá forma de fazer funcionar bem uma união monetária que agrega países com culturas económicas tão diferentes como a Alemanha, a Holanda e a Finlândia, de um lado, e Portugal, a Grécia e o Chipre, do outro. Sendo assim, aquilo que lhes agradeceríamos era que nos começassem a ajudar a encontrar forma de sair do imbróglio em que os "líderes visionários" de há duas décadas nos enfiaram. E que o fizessem antes de alguma coisa de mais grave acontecer.
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José Manuel Fernandes
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sexta-feira, 29 de março de 2013

REVIRAVOLTA

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A governação de Passos Coelho falhou em toda a linha. Este já só se aguenta no poder porque não há à vista qualquer alternativa credível.
A equipa de Coelho, Portas e Gaspar, não só não conseguiu tirar o país do beco para onde Sócrates nos tinha atirado, como ainda piorou a situação.
As finanças públicas estão num caos. Há milhares de empresas a fechar, o desemprego é galopante. Os mais pobres passam fome, a classe média extingue-se. A coligação PSD-CDS não reduziu a despesa com as estruturas inúteis do estado. Não se baixaram sequer as rendas das parcerias, como preconizava o memorando com a troika.
Caminhamos para o abismo e o maior drama é que nem sequer há alternativa eleitoral. O PS é inconsistente. Seguro é feito da mesma massa de Passos e Relvas. Vindo das juventudes partidárias, não tem mundividência nem currículo. Não se lhe conhece uma ideia. Apenas se sabe que domina bem o aparelho socialista. Seguro é, afinal, um clone de Passos.
Restaria, como opção, a hipótese de um governo de iniciativa presidencial, apadrinhado por Cavaco Silva. Mas quais seriam as políticas desse seu executivo? Provavelmente, apenas fazer chegar à governação a ala cavaquista do PSD, constituída por gente habituada a bons empregos do estado, negócios fáceis e privilégios; e que está ávida de poder.
E quem seria o preferido de Cavaco para primeiro-ministro? Talvez Rui Rio ou Guilherme de Oliveira Martins.
Mas das escolhas de Cavaco há que temer. Recorde-se que foi o atual presidente que, enquanto líder do PSD, nomeou para secretário-geral Dias Loureiro, um dos principais responsáveis pela maior burla financeira do regime, o BPN. Como primeiro-ministro, designou como líder parlamentar um atual presidiário, Duarte Lima. E já recentemente, para liderar o grupo de sua iniciativa "EPIS - empresários pela inclusão social", escolheu João Rendeiro, o responsável pela fraude do BPP. Não se pode pois confiar em quem erra tão clamorosamente em nomeações de tamanha importância.
Os portugueses estão em fim de linha, reféns de um governo incompetente, e não depositam qualquer esperança na oposição. Sabem que o Presidente é desastrado. Só com novos protagonistas poderemos sair deste atoleiro. O regime precisa de uma reviravolta.
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Paulo Morais
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

OSCAR PISTORIUS CASE: THE BLONDE IS THE VICTIM HERE, BLADE



If you have just accidentally shot dead the woman you love, what do you do? Is it:
a) Dial 999 and summon an ambulance
b) Call your girlfriend’s parents and beg forgiveness
c) Go to a church and pray hard
d) Hire a leading PR to manage your reputation.

Call me a foolish romantic, but I would rule out “d” right away. If you were innocent and grief-stricken, why would your thoughts turn to “crisis communications”? Yet this is exactly what Oscar Pistorius did within hours of the violent death of his girlfriend Reeva Steenkamp at his home in Pretoria.
The 26-year-old Paralympian called up Stuart Higgins, the former editor of The Sun and now a public relations expert. Pistorius’s PR team lost no time in relaunching his website to put the most positive spin on what they variously describe as “these tragic events” and “this terrible, terrible tragedy”. Looking at the website, with its stirring pictures of the Blade Runner in action, you notice that the words murder and death do not feature. For, lo, we have entered the soothing land of PR euphemism, where world-famous disabled heroes do not gun down.
Among those paying tribute to Oscar is his uncle, Arnold Pistorius. “Words cannot adequately describe our feelings,” says Arnold. “The lives of our entire family have been turned upside down for ever by this unimaginable human tragedy and Reeva’s family have suffered a terrible loss.”
Observe that it is the Pistorius family which has suffered “an unimaginable human tragedy” – their golden boy faces a career-wrecking charge of premeditated murder. The family of Reeva Steenkamp, the victim of the crime who appears to have been shot three times while in the toilet, has merely suffered “a terrible loss”.
Reeva’s irrelevance to the main event was confirmed by a tabloid headline. “Blade Slays Blonde”, it proclaimed, not bothering to give her the dignity of a name. On Tuesday, as a hearse took Reeva’s body to the crematorium, Oscar Pistorius sobbed throughout a bail hearing. It was an affecting performance. One might almost call it Oscar-winning. Commentators began to admit they felt a sneaky sympathy for the stricken track star. Even the magistrate asked him if he was feeling all right.
And so, very cunningly, the tragedy is appropriated from the dead woman and becomes the tragedy of the man accused of killing her. The fact that, according to a neighbour, he silenced Steenkamp’s screams with two further gunshots, is of little consequence to Pistorius’s supporters.
“I didn’t have my prosthetic legs on. I felt vulnerable,” explained Pistorius, playing the disability card for the first time in a life that has, until now, been remarkably free of self-pity. He was explaining why he fired at a locked bathroom door behind which he was convinced there was a burglar. Because burglars always lock themselves in bathrooms, don’t they? To steal the soap and the hand towel. Just as girlfriends always lock the door when they need a pee in the middle of the night. And men who think there’s a burglar in the bathroom never bother to shout out first and give their girlfriend a chance to say, “Baby, put the gun down, it’s only me.”
Pistorius’s story has more holes than a colander. I don’t feel an ounce of pity for him. Of course, his PR man, Stuart Higgins, begs to differ: “Our job is to capture some of the support that Oscar is receiving from all over the world, lots of positive messages from people who still believe in him,” explained Higgins.
Fame – that is, real global fame of the kind Oscar Pistorius enjoys – has its own protective forcefield. You can believe in a star even when you no longer believe the story they’re trying to peddle. That’s why Michael Jackson kept selling records. That’s why, even now, there are Lance Armstrong fans who have clung to the faith. When fans say they still “believe” in a celebrity, what they mean is: “I refuse to let any unpleasant facts interfere with the noble image I have of you.” Even if those unpleasant facts include the corpse of a 29-year-old model and law student who was, by all accounts, as lovely as her face.
At the height of the Jimmy Savile scandal, the entertainer’s niece told ITV’s This Morning that her relatives were angry when she decided to speak out about what creepy Uncle Jimmy had done to her. “Without his fame, they’d be nothing,” explained the niece.
Fame can do that. It zips people’s lips and mortgages their hearts. Only weeks ago, Oscar Pistorius fired a gun in a restaurant. The bullet narrowly missed a friend’s foot, but police were not called. If a complaint had been made, maybe the testosterone-fuelled athlete might have realised he was not above the law. But the restaurant owner was happy to accept that no gun had been fired because Oscar’s friends lied to protect his reputation.
The obvious comparison here is with O J Simpson, who went on trial in Los Angeles in 1995 for the murder of his ex-wife Nicole Brown and her friend Ron Goldman. Like Pistorius, Simpson had form when it came to domestic violence. The prosecution thought it had a solid case. But, also like Blade Runner, O J was a good-looking sports god who had overcome considerable odds to find fame, fortune and a beautiful blonde. Race was a complicating factor, but it was O J’s celebrity that turned a vicious murder case into the Trial of the Century. Last September, 18 years after Simpson was sensationally acquitted, Kato Kaelin (a TV personality and witness at the trial) was asked if Simpson killed Brown and Goldman. Kaelin replied: “The statute of limitations has now passed… so I can now say… yes, he did it.”
Asked why he let O J Simpson get away with murder, Kaelin said: “I was too scared. I was terrified… People hated me. I’ve been spat upon. They threw gum in my coffee.”
Fame can do that, too. Never underestimate the human desire not to know the worst about our heroes.
Let me leave you with a piercing irony. Just days before Reeva Steenkamp was killed, she sent tweets offering her support for female victims of violence. Her country has a deplorable record in that area. On average, a South African woman is killed every eight hours by her partner or relative.
After her funeral, Steenkamp’s Uncle Mike told reporters that his niece wanted to be an activist for ending abuse against women. “Unfortunately, it has swung right around, but I think that the Lord knows that her statement is more powerful now,” he said.
It certainly is. When Oscar Pistorius’s case comes to court, it should be the man who faces the murder charge, not the sporting legend. Gold medallists can be made of baser metals. There is only one victim of unimaginable human tragedy here. Her name was Reeva Steenkamp.
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domingo, 3 de fevereiro de 2013

SCANDALE BANCAIRE PORTUGAIS: LES VACANCES A RIO DE DIAS LOUREIRO



Le président de la République portugaise Anibal Cavaco Silva a décidé de déferrer au Tribunal constitutionnel, c'est une de ses prérogatives, certaines dispositions d'un budget 2013 d'austérité aggravée parce qu'il a des «doutes» sur le caractère équilibré des efforts imposés à la population d'un pays qui va entrer dans sa troisième année consécutive de récession, une situation inédite depuis la révolution des oeillets de 1974. Des doutes?
Au moment même où ce chef de l'Etat à la réputation personnelle plus que ternie se livrait à cette manoeuvre parfaitement démagogique, on apprenait qu'une des principales figures du «cavaquisme», Manuel Dias Loureiro, passait les fêtes de fin d'année au Copacabana Palace de Rio de Janeiro, où une simple chambre coûte quelque 600 euros la nuit. Soit d'avantage que le salaire minimum du pays. Voilà qui devrait suffire à lever les «doutes» de l'occupant du palais présidentiel de Belem.


Détenteur de portefeuilles ministériels clefs dans les gouvernements PSD dont Cavaco Silva était le chef, ancien membre du Conseil d'Etat, ce saint des saints de la caste politicienne portugaise, Dias Loureiro, «protégé» de Cavaco, est une figure centrale de ce qui devrait être un énorme scandale européen, une affaire d'Etat, la faillite de la banque BPN. Cette faillite frauduleuse pourrait coûter au contribuable portugais, celui là même qui resserre sa ceinture d'un cran année après année, jusqu'à sept milliards d'euros, soit près d'un dixième de l'aide financière internationale que le pays a du demander en 2011, avec comme contrepartie le programme de remise en ordre des finances publiques surveillé par la «troïka» UE-BCE-FMI.

L'activité principale des dirigeants de cette banque du «bloc central» (les partis de centre gauche et centre droit qui alternent au pouvoir depuis la chute de la dictature salazariste) consistait à accorder, par dizaines ou centaines de millions d'euros, des prêts à leurs amis, familiers, clients...et à eux-mêmes. Dans un reportage remarquable, le journaliste de la télévision SIC Pedro Coelho vient de révéler, par exemple, qu'une entreprise de ciment de la galaxie Dias Loureiro avait reçu du BPN un prêt de 90 millions d'euros. Une autre personnalité du «cavaquisme» comme Duarte Lima, ancien chef du groupe parlementaire PSD, emprisonné à Lisbonne et soupçonné de meurtre par la police brésilienne, a détourné 49 millions d'euros. Cavaco lui-même avait bénéficié, dans des conditions suspectes, d'une attribution à prix cassé par le patron du BPN José Oliveira Costa, un de ses anciens secrétaires d'Etat, d'actions de la SLN, holding de tête de la banque, qu'il a pu revendre avec une plus value de 140%. En bref, le scandale du BPN est très largement celui du «cavaquisme». Et ce personnage a des «doutes» sur l'équité de la politique d'austérité ?

Ces milliards d'euros sont considérés comme définitivement perdus...mais par pour tous le monde. Quand le scandale a éclaté en 2009, la presse portugaise a révélé que Dias Loureiro, administrateur de la SLN, avait soigneusement organisé son insolvabilité personnelle en transférant ses avoirs à des membres de sa famille ou des sociétés offshore. De quoi payer la chambre au Copacabana Palace, sans doute ?

Et au fait, qui donc Dias Loureiro a-t-il retrouvé pour les fêtes dans cet hôtel de rêve, jadis favoris des vedettes de Hollywood ? Nul autre que Miguel Relvas, pilier de l'actuel gouvernement PSD, ami proche et «père Joseph» du Premier ministre Pedro Passos Coelho. Relvas, dont le maintien au gouvernement est en soi un scandale, alors qu'il a été convaincu d'avoir obtenu frauduleusement une licence universitaire afin de pouvoir porter ce titre de «docteur» dont la bourgeoisie d'Etat lusitanienne est si ridiculement friande.

Comme Armando Vara, ami intime de l'ancien Premier ministre «socialiste» José Socrates qui a placé le FMI sous la tutelle de la «troïka», Dias Loureiro et les «cavaquistes» du BPN, sont l'illustration que la politique professionnelle est bien, dans certaines «démocraties» européennes, le chemin le plus sûr vers l'enrichissement personnel rapide d'une classe d'aventuriers. En Grèce, en Irlande, en Espagne, au Portugal. Et en France ?

C'est la première leçon. La seconde, c'est que les graves dysfonctionnements de systèmes judiciaires eux-mêmes gangrénés par la corruption et les réseaux d'influence permettent à de tels individus de jouir en toute impunité de biens mal acquis. Il est à noter que les responsables directs des désastres bancaires à l'origine directe de la crise financière globale ont joui jusqu'ici aux Etats-Unis et en Europe, à de rares exceptions près, d'une impunité civile et pénale absolue.

Enfin, cerise sur le gâteau, la surveillance bancaire confiée désormais dans la zone euro à la Banque centrale européenne, y sera sous la responsabilité du vice-président Vitor Constancio, hiérarque socialiste portugais et gouverneur de la Banque du Portugal, le régulateur bancaire, quand les «cavaquistes» du BPN se livraient à leurs acrobaties nauséabondes. Fermez le ban !
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